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NY abre mostra com altar brasileiro incompleto
Tonica Chagas

Brazil: Body and Soul, a maior exposição de arte brasileira já realizada nos Estados Unidos, será aberta ao público no sábado, no Museu Guggenheim de Nova York, sem que a montagem da sua principal peça, o altar-mor do Mosteiro de São Bento de Olinda, esteja concluída. A previsão é de que o altar fique pronto somente no fim deste mês, segundo informou ontem Julian Zugazagoitia, assistente da direção do museu e um dos curadores da exposição.

O altar, construído entre 1783 e 1786, nunca havia saído do mosteiro pernambucano. O atraso na montagem é resultado de duas semanas de impasse sobre o envio da peça para Nova York, depois que a cidade sofreu o ataque terrorista de 11 de setembro. Uma liminar que impedia o embarque só foi suspensa no dia 2.

Com 13,8 metros de altura por 7,8 metros de largura, o altar é esculpido em cedro, banhado a ouro e pesa 13 toneladas. Depois de restaurado no próprio mosteiro, num trabalho que levou sete meses, ele foi dividido em 52 peças para ser remontado no museu nova-iorquino. Sete técnicos brasileiros que trabalharam na restauração fazem parte da equipe de quase 30 pessoas envolvidas na instalação.

Para que essa obra barroca pudesse ser exibida no Guggenheim de NY, todo o piso da rotunda do museu teve de ser reforçado. Um sistema especial de climatização também foi instalado, a fim de manter condições de umidade estáveis. Brazil: Body and Soul ficará em exibição no Guggenheim de Nova York até 27 de janeiro. Depois disso, o altar voltará ao Brasil e, em março, deve seguir para o Guggenheim de Bilbao, na Espanha, onde a mostra permanecerá por seis meses. O altar será definitivamente reinstalado no mosteiro de Olinda no fim de 2002.

Fonte: Jornal Estadão
18/10/2001