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J.R. Duran expõe mais que nudez
Deborah Bresser
São Paulo - "Essa exposição
sou eu", garante o fotógrafo J.R. Duran, que apresenta,
a partir de hoje, no Museu de Arte Brasileira da Faap, 80 imagens
selecionadas entre as milhares de cópias de suas cenas prediletas,
realizadas desde que voltou de Nova York ao Brasil, há cerca
de oito anos.
Os painéis foram extraídos de JRDuran (Editora W11,
R$ 115), livro de edição luxuosa que reúne
124 fotografias e será lançado no vernissage, hoje
à noite. Mas que ninguém espere ver só os seios,
curvas e bumbuns que ele costuma desvendar nas fotos que faz para
a Playboy. Mestre dos nus da revistas, desta vez Duran mostra outras
facetas de seu trabalho - entre as imagens expostas há muitos
retratos de celebridades, cenas de viagem e de "aventuras",
como define o material de divulgação do trabalho.
A curadoria, realizada pelo professor Rubens Fernandes Júnior,
priorizou fotos que não são famosas. Algumas delas
já foram publicadas, mas 60% são inéditas.
"Foi um exercício ímpar", confessa Júnior,
que levou três anos vasculhando o acervo pessoal de Duran.
"No último ano fizemos encontros semanais. Toda quinta-feira
ficávamos vendo imagens", lembra. Como traçar
uma linha diante de uma produção tão vasta?
"Por trás de todas aquelas fotos procuramos o olhar
de Duran", explica.
Produzidas em tempos e locais diferentes, várias imagens
exibem linguagem semelhante. "Há, por exemplo, a opção
pela ´frontalidade´ (fazer retratos de frente) em alguns
blocos, a alegria dos sorrisos em outro, a luz, a direção
de cena", diz o curador. "Descobri que algumas imagens
remetiam a outras, realizadas em momentos totalmente distintos,
mas isso é involuntário", garante o fotógrafo.
"Nesta seleção, preferimos as imagens com tensão,
para mexer com as pessoas", avisa Júnior. A montagem
mescla cenas coloridas com PB, e da entrada é possível
enxergar todos os painéis. "A sala é cinza, há
quatro sofás e um coqueiro no meio. A iluminação
será direta sobre as fotos e a montagem dá a impressão
de que as imagens estão soltas no ar."
A qualidade das reproduções impressiona. Tudo é
feito em papel fotográfico e há painéis imensos,
de 2,10m por 1m70, e outros menores, de 1,50 por 1m20. "Estou
acostumado a ver minhas fotos impressas e sempre que ia a exposições
achava o trabalho dos fotógrafos ótimo. Agora percebi
que o problema não era eu, era da impressão das fotos",
diverte-se Duran.
Jornal Estadão
26/03/2003
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