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Niterói ganha um novo museu
Beatriz Coelho Silva

O Espaço Memória Histórica da Diretoria de Hidrografia e Navegação possui 200 peças vindas de navios desativados, usadas desde o século passado, com o objetivo de mostrar como foram pesquisados os mares brasileiros do Império até hoje

Rio de Janeiro - A cidade de Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara, na região metropolitana do Rio, ganhou hoje um novo museu. É o Espaço Memória Histórica da Diretoria de Hidrografia e Navegação, abrigado num dos prédios do Complexo da Marinha, que fica na Ponta da Armação, centro da cidade. O acervo conta a história da pesquisa desenvolvida pela Diretoria de Hidrografia e Navegação. São 200 peças vindas de navios desativados, usadas desde o século passado, com o objetivo de mostrar como foram pesquisados os mares brasileiros do Império até hoje.

"Mostramos como eram feitos os mapas, desde o tempo em que era preciso se distanciar da costa ou subir em morros altos para perceber o desenho da costa, até hoje, quando tudo é feito por satélite", conta a museóloga Margareth Mansur, que organizou a exposição com o também museólogo Jair Santos. "Mesmo com poucos recursos, seus mapas eram bastante apurados, e temos imagens do Brasil, de três séculos atrás, bastante próximas às de hoje."

O prédio foi construído no século 17, quando ainda se pescavam baleias na Baía de Guanabara, que foi restaurado para ficar como naquela época. Os equipamentos, retirados de navios desativados, também foram restaurados para que o público tenha idéia de como trabalhavam e como viviam os oficiais e marinheiros que se dedicavam à pesquisa hidrográfica (de rios e das costas brasileiras) e oceanográfica (em mar aberto). "Sempre houve uma preocupação da Marinha com sua memória. Toda vez que um navio dá baixa, ou seja, é desativado, a Diretoria de Hidrografia e Navegação é chamada para recolher os objetos que lhe interessam historicamente."

O acervo desse museu vinha sendo guardado havia alguns anos e foi restaurado com patrocínio do Banco Santos, de Edemar Cid Ferreira, sem recurso de leis de incentivo à cultura. Além de equipamentos usados em várias épocas, há também modelos de navios de pesquisa que foram usados para fins didáticos, mas a principal atração é a sala de armas do navio Almirante Saldanha, que foi remontada numa das instalações do prédio. "O local de reuniões e refeições dos oficiais, em terra ou no mar, tinha esse nome e decidimos mostrar também como eles passaram suas horas de lazer", conta Margareth. Há um certo ar de Titanic, pois ao contrário do que se imagina em navios, predomina o conforto, quase luxo.

Por enquanto, o Espaço Memória funcionará em pequena escala, mas a partir de março fará parte do Circuito Naval da Marinha. O passeio, que ocorre todo segundo fim de semana do mês começa no Espaço Cultural da Marinha, na Praça 15, no Rio, se estende até a Ilha Fiscal, a bordo do navio rebocador Laurindo Pita, chega ao submarino Riachuelo e ao contratorpedeiro Bauru, que foi usado na 2.ª Guerra Mundial, passa pelo Museu dos Fuzileiros Navais, no Forte de São José, na Ilha das Cobras, e termina com a travessia da baía, para chegar ao Espaço Memória. "Mas quem quiser visitar só o lado de Niterói também pode, pois pensamos em colocar ônibus saindo das barcas para chegar até lá", avisa Margareth.

A Diretoria de Hidrografia e Navegação é uma das instituições mais antigas da Marinha brasileira. Foi criada em 1876, com o nome de Repartição Hidrográfica e instalou-se na Ilha Fiscal, onde ficou até a década passada. Desde então, mudou de nome várias vezes, mas seu objetivo continuou o mesmo: desenvolver pesquisas em águas territoriais e internacionais, mapear a costa e os oceanos brasileiros, tanto com o objetivo de segurança quanto para melhorar as condições de navegação. A confecção de mapas é anterior à sua criação, mas foi absorvida pela DHN, que guarda um rico acervo em seus vários museus espalhados pelo País.

Jornal Estadão
10/02/2003