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Museu Rodin da Bahia será aberto em novembro
Jotabê Medeiros
São Paulo - Com 2,5% do custo do fabuloso Museu Guggenheim
que o Rio quer erguer na Praça Mauá, Salvador vai
ganhar uma invejável instituição em novembro:
o Museu Rodin Bahia. Custará US$ 4,5 milhões (o Guggenheim
Rio está estimado em R$ 180 milhões) e terá
em seu acervo, cedidas em regime de comodato, 62 obras do escultor
francês Auguste Rodin (1840-1917).
"Esse museu tem um nível de significação
que ultrapassa qualquer valor pecuniário", diz Eulâmpia
Santana Reiber, assessora especial da Secretaria de Cultura e Turismo
da Bahia e diretora-executiva da Sociedade Cultural Auguste Rodin,
organização que cuida da instalação
do museu em Salvador. "O investimento é ínfimo
pelo que o museu vai proporcionar na formação artística,
na socialização cultural, nos processos de criação."
O projeto, já concluído, prevê a construção
de um edifício moderno em harmonia estrutural com um prédio
histórico, o Palacete Comendador Catharino, na Rua da Graça,
em Salvador. As esculturas de Rodin ocuparão os salões
do palacete e seu jardim - principal motivo pela escolha do prédio
de 1913 para a sede do museu. No prédio novo, haverá
exposições temporárias. Entre os dois blocos,
o moderno e o neoclássico, haverá um café e
uma loja, expandindo-se pelo jardim. Um pavimento em subsolo abrigará
as áreas dos funcionários e serviços técnicos.
O novo bloco será construído em concreto aparente,
vidro e treliças de madeira. No jardim, piso modulado de
pedra portuguesa e obras de Rodin em meio à vegetação
tropical.
Segundo descrição dos arquitetos autores do projeto,
Marcelo Carvalho Ferraz e Francisco de Paiva Fanucci, de São
Paulo, um volume de concreto aparente encaixado no edifício
histórico contendo escada e elevador ligará os três
pavimentos de acesso público. Deste volume, uma lâmina
de concreto estende-se até o novo bloco, uma passarela de
3 metros e 20 centímetros de altura.
Essa passarela "penetra na nova construção ou
a abraça para buscar um ponto privilegiado de observação
da Porta do Inferno, obra-prima de Rodin", descreve o projeto.
Entre os trabalhos que serão enviados para a Bahia pelo Museu
Rodin de Paris estão as consagradas peças O Beijo,
O Pensador, O Escultor e Sua Musa, Eva, A Lorena, Avareza e Luxúria,
O Desespero, A Mulher Agachada, O Velho Sentado, Torso Masculino
e a parte esquerda do frontão da Porta do Inferno.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Cultural
da Bahia, o palacete Bernardo Catharino estava em estado delicado
de conservação, com infiltrações e danos
às pinturas artísticas e decorativas dos forros e
paredes das salas. A intervenção prevê sua total
restauração e "intervenções delicadas
e pontuais", para adequá-lo à nova função.
O museu é resultado de um convênio bilateral entre
o governo francês, por meio do seu Ministério da Cultura
e da Comunicação, e o governo da Bahia. Segundo a
Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia (que já administra
outros oito museus no Estado), o museu terá verba do Estado
e de empresas privadas. A curadora do novo museu será Lilian
Tone, também curadora do Museu de Arte Moderna (MoMA), de
Nova York.
11/03/2003
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