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"Naturezas" traz arte de Georgia Creimer
São Paulo - Morando na Áustria há 16 anos,
Georgia Creimer é um dos vários artistas brasileiros
que o Brasil desconhece, que desenvolvem sólidas carreiras
no estrangeiro sem mostrar com freqüência o resultado
de suas pesquisas por aqui. Para mudar um pouco esse quadro de presença
apenas esporádica no circuito nacional - que inclui algumas
mostras individuais e coletivas em galerias e museus paulistanos
-, Georgia acaba de passar seis meses em São Paulo, sua cidade
natal, para criar uma série de trabalhos inéditos
especialmente para a exposição que será inaugurada
amanhã à noite na Galeria Brito Cimino. em São
Paulo.
Mesmo lançando mão de uma grande diversidade de técnicas
e procedimentos, Georgia constrói um trabalho extremamente
coeso que se articula em torno de questões e formas semelhantes,
criando um universo ao mesmo tempo atraente e onírico, que
encanta e instiga o espectador.
Seja nos trabalhos mais sedutores, como "Árvore"
- uma pintura sobre tela recortada extremamente ornamental -, seja
nas obras de caráter mais conceitual, como "Bezerros"
(em que a artista explora a idéia do animal por meio de sua
pele), há na obra de Georgia um desejo de estabelecer relações
sensíveis e emocionais que evoquem sentimentos e sensações
no público.
Não é à toa que a exposição
se chama Naturezas, uma forma encontrada pela artista de remeter
tanto às formas orgânicas que explora com fascínio,
quanto o que chama de natureza constitutiva das pessoas, tanto psíquica
quanto física. "Trabalho de maneira intuitiva, a idéia
só vem no manuseio dos materiais", explica ela, acrescentando
que mesmo para ela a obra só diz a que veio depois de pronta.
Os textos escritos por ela para o folder da mostra são uma
outra maneira - também intuitiva - de descrever essa criação
um tanto inconsciente, que parece querer usar a arte como forma
de ampliar os parâmetros sensíveis e emocionais do
público. "Células que aparentam pedras que fluem
formando árvores que apontam bombas aparentando brotos que
amadurecem contendo frutos caindo sobre peles semelhantes a tapetes
mortos revivendo através de paredes de gesso criando monumentos."
A obra de Georgia é assim, como uma cascata de formas e sensações.
"Eles são como trabalhos sem verbo", define ela,
afirmando mais uma vez um desejo de liberdade, tanto para si quanto
para quem se depara com seu universo criativo.
Serviço - Georgia Creimer. De terça a sábado,
das 11 às 19 horas. Galeria Brito Cimino. Rua Gomes de Carvalho,
842, em São Paulo, tel. (11) 3842-0634. Até 30/11.
Abertura amanhã, às 20 horas.
Fonte: Jornal Estadão
24/10/2002
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