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Museu Nacional quer ficar como os melhores
Renata Magdaleno

Profissionais de diversas áreas estão elaborando um projeto para mudar a cara do Museu Nacional

Quem já andou pelos corredores do Museu de História Natural de Nova York vai achar que a única coisa que este tem em comum com o Museu Nacional é o tema. Tudo bem que o palácio da Quinta da Boa Vista é o maior museu da América Latina neste segmento, com nove milhões de peças na reserva técnica. Mas o orgulho do título diminui logo diante de toda a ultrapassada programação visual da exposição permanente. Pois podem começar a contar os meses (talvez seja melhor dizer anos) para ver isso tudo mudar. Profissionais contratados vêm desenvolvendo, ali mesmo na Quinta, um projeto que vai deixar o Museu Nacional com o jeitão dos melhores e mais modernos de história natural espalhados pelo mundo. Vai ter até cinema 3 D lá dentro.

— Nossa idéia é fazer com que o potencial do museu comece a florescer. Há 50 anos temos poucos recursos e ficamos muito aquém do que podemos ser — diz o antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte, diretor do museu, lembrando que a instituição, ligada à UFRJ, está estudando a possibilidade de ter um orçamento próprio, estabelecendo um vínculo direto com o MEC.

Tudo bem que a situação do prédio vem melhorando aos poucos desde 1996, quando começou um processo de restauração e recuperação do palácio. Mas o projeto atual é bem mais grandioso. E para isso foram contratados no fim do ano passado 25 profissionais de diferentes áreas, com uma verba de R$ 303 mil para o primeiro ano, custeada pelo CNPQ. Um acordo que já foi renovado por mais um ano.

E a equipe não está perdendo tempo. Vem planejando destinar todo o palácio a exposições. O público poderá entrar em recintos que antes só eram freqüentados por funcionários e toda a vida acadêmica que hoje funciona no prédio (cursos de pós-graduação da UFRJ) seria transferida para um local próximo ao museu.

E essa limpa toda é só o começo. Está programada uma reformulação geral na exposição permanente, que foi planejada na década de 40.

— O acervo será dividido em três circuitos — explica Leandro Salles, coordenador do projeto.

O primeiro percurso contará a história do planeta, desde as teorias sobre o início do Universo. É lá que ficarão os esqueletos de dinossauros e os pedaços de meteoritos que hoje são vistos no museu. Esse circuito será acompanhado por um túnel do tempo, com marcas cronológicas no chão indicando a época em que o visitante está. Serão cerca de 12 galerias temáticas, percorrendo os três andares da instituição.

O segundo circuito falará da cultura humana, com peças como as que pertencem à coleção do Egito, e o terceiro do homem e a biodiversidade. Tudo com design moderno e artifícios de cenografia.

— Planejamos uma reformulação em toda a parte estética, com nova iluminação e climatização. Algumas galerias terão uma cenografia bem trabalhada — diz o arquiteto Marcello Fernandes, coordenador de arquitetura e design.

Como o palácio está localizado numa colina, o projeto prevê ainda a construção de cinco andares subterrâneos. Os três primeiros seriam ocupados por exposições e, para o quarto, está planejado o jardim da ciência, uma área com brinquedos científicos. Lá as crianças poderão, por exemplo, encaixar o rosto em lentes e enxergar como as abelhas.

E não acabou. Para o último andar está prevista a criação de um cinema 3D, um simulador, lojas e um cybercafé. Tudo elaborado de forma a respeitar as leis do Iphan, já que o palácio e a Quinta são tombados. O custo disso?

— Um terço do valor do Guggenhein que querem construir: US$ 50 milhões. Isto é uma estimativa — diz Salles.

Depois de terminado o projeto, será necessário captar recursos para o início das obras, programado para 2003. Agora, é esperar para ver.

Fonte: Jornal O Globo
10/08/2001