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MoMA reabre em sede temporária
Tonica Chagas
O Museum of Modern Art de Nova York ficará fechado para
reformas por cerca de três anos. Enquanto isso, o bairro do
Queens abriga a sede provisória
Nova York - Hoje à noite, um arco-íris criado pela
explosão de mil fogos de artifício deve aparecer,
por menos de um minuto, como uma ponte sobre o East River unindo
Manhattan e o bairro do Queens, em Nova York.
Transient Rainbow, criação do artista chinês
Cai Guo-Qiang, que vive na cidade, aponta o caminho e marca a abertura
da sede temporária do Museum of Modern Art (MoMA), que foi
para o outro lado do rio. Fechado em 22 de maio, o prédio
do museu em Manhattan vai passar por uma reforma que deve durar
cerca de três anos.
Até lá, algumas das mais famosas obras de arte do
século 20 vão ficar numa antiga fábrica de
grampeadores na Rua 33 com Queens Boulevard, na região de
Long Island City. Reformada e pintada de azul-safira, a construção
foi batizada de MoMA QNS. Com muitos nova-iorquinos torcendo o nariz
para o novo endereço e milhões de turistas que não
sabem onde é o Queens (apesar de desembarcarem nos aeroportos
JFK e LaGuardia, localizados no bairro), o MoMA QNS tem de fazer
muito mais do que se pintar de cor berrante para chamar público
e conquistar os vizinhos.
A própria mudança foi simbolizada por uma cena mais
comum entre os imigrantes latinos e católicos que vivem no
Queens: no domingo passado, centenas de pessoas caminharam por três
horas e atravessaram a Queensborough Bridge numa procissão
entre os dois museus. Reproduções de alguns ícones
da arte moderna pertencentes à coleção do museu,
como do quadro de Picasso Les Demoiselles d´Avignon, da escultura
de Giacometti Standing Woman e da roda de bicicleta de Duchamp,
foram carregadas sobre palanques em cortejo. Esse rito de passagem
foi criado pelo artista belga Francis Alÿs, que vive no México,
e gravado em vídeo que está sendo exibido no novo
museu.
Neste fim de semana, a entrada é franca e o MoMA QNS ficará
aberto até as 22 horas. Nos outros sábados e domingos,
uma linha de ônibus especial vai transportar passageiros de
graça entre a a sede em reforma e a provisória.
Além de uma extensa programação pública
articulada com outras instituições culturais e educacionais
do bairro, chinês e coreano - línguas faladas por grande
parte dos moradores das redondezas - foram acrescentados à
lista de idiomas em que são oferecidas informações
no museu. A expectativa é que a média de público
fique entre 1 mil e 2 mil pessoas/dia. Em Manhattan, o MoMA recebia
cerca de 1,6 milhão de visitantes/ano, 30% deles do exterior.
Para a estréia, o MoMA QNS tem três grandes exposições.
To Be Looked At exibe dezenas das mais preciosas obras do acervo;
logo na entrada das galerias está a escultura de Joan Miró
Pájaro de la Luna, e, pouco mais adiante, a tela original
de Les Demoiselles d´Avignon. Em AUTObodies foi reunida a
coleção de seis carros que pertencem ao museu, incluindo
um Fórmula 1 da Ferrari.
A terceira exposição, Tempo, foi organizada pelo
brasileiro Paulo Herkenhoff, curador adjunto do Departamento de
Pintura e Escultura do museu.
Com obras de 45 artistas contemporâneos de todos os continentes,
ele estruturou o tema sob as formas que eles incorporam questões
e imagens temporais a partir de referências mecânicas
como o relógio, e mais o corpo, a história, o simbolismo
e a experiência cotidiana. Ele fez questão de dar como
título da mostra uma palavra em latim que, depois de séculos,
ainda é a mesma em português. Tempo é pontuada
por obras de brasileiros como Adriana Varejão, Cildo Meirelles,
Waltercio Caldas e Vik Muniz.
Enquanto o prédio do museu estiver em renovação,
seu departamento de filmes será transferido para o Gramercy
Theater, em Manhattan. Quando o novo MoMA ficar pronto, o QNS será
transformado num centro de estudo e conservação, com
escritórios e depósito para obras do acervo.
Fonte: Jornal Estadão
01/07/2002
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