NY
revê o traço de Mies van der Rohe
Ricardo
Bairos, da Planet Pop
Nova York - Dois dos principais museus de Nova York homenageiam
atualmente um dos maiores arquitetos modernistas, o alemão
Mies van der Rohe. O homem que pregava o "menos é mais"
na arquitetura e ajudou a redefinir o século 20 com muito
vidro e aço é o tema de exposições no Museum of Modern Art
(MoMA) e no Whitney Museum of American Art. Centenas de
fotografias, esquetes, desenhos, maquetes tradicionais e
digitais, pinturas, esculturas, filmes e até instalações
fazem parte das duas exposições.
Mies
in Berlin, que fica em cartaz no MoMA até 11 de setembro,
retrata o início da carreira do arquiteto: de quando começou
a trabalhar em Berlim, na Alemanha, em 1905, a quando imigrou
para os Estados Unidos, em 1938. Mies in America, que fica
no Whitney até 23 de setembro, mostra seu trabalho nos Estados
Unidos a partir de 1938, quando se estabeleceu em Chicago,
até sua morte, em 1969.
A
mostra do MoMA tem 47 projetos dele na Europa e examina
seu trabalho mais tradicional, além do início de seu design
mais moderno. Com alguns trabalhos pouco conhecidos, a exposição
ajuda a revelar a evolução do traço do arquiteto. Mies in
Berlin trata de suas teorias sobre a natureza, os materiais,
o espaço moderno e muito mais. O MoMA foi o primeiro museu
do mundo a mostrar o trabalho do arquiteto na exposição
International Style, em 1932. O museu também realizou sua
primeira retrospectiva, em 1947.
Mies
van der Rohe foi o último diretor da famosa Escola de Arte
Bauhaus, de 1930 até o fechamento da instituição pelo regime
nazista em 1933. Alguns dos projetos mostrados no MoMA são
jardins e residências em Potsdam e Berlim, na Alemanha,
a Tugenhat Haus (em Brno, na República Checa), e a casa
Resor, desenhada para Helen Resor (uma colaboradora do MoMA),
em Jackson Hole, Wyoming.
O show do Whitney começa onde o do MoMA acaba, com uma versão
redesenhada da casa Resor, completada depois que ele chegou
aos Estados Unidos. A obra na mansão, que mostrou a radicalização
de seus conceitos de espaço, luz e sombra, nunca foi terminada.
O projeto também aponta o caminho para um de seus trabalhos
mais conhecidos, a Farnsworth House, em Plano, Illinois.
A mostra do Whitney, em vez de ser cronológica, tem os trabalhos
separados por técnica e conceito.
Um
dos destaques do show são os desenhos do arquiteto, que
via suas criações "em movimento", como no cinema. Seus esquetes
e alguns filmes mostram os projetos em vários ângulos e
incidências de sol, o que mostra como a sombra e a luz eram
partes importantes de seu trabalho. A mostra do Whitney
termina com seus projetos urbanos e sociais dos anos 60,
como o Federal Center (Chicago), o Toronto Dominion Centre
(Toronto) e a Westmount Square (em Montreal). Mais informações
sobre as exposições podem ser conseguidas nos web sites
do museus, em http://www.moma.org e http://www.whitney.org.
Fonte:
Jornal Estadão