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Bienal do Mercosul começa hoje em Porto Alegre
Sandra Hahn
Pelos próximos dois meses, quase 400 obras de 125 artistas plásticos
poderão ser visitadas em Porto Alegre (RS) durante a 3ª Bienal de
Artes Visuais do Mercosul, que terá entrada gratuita. A abertura
será realizada esta noite, às 20h30, com um concerto da Orquestra
Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) no Anfiteatro Pôr-do-Sol. O evento
estará aberto ao público a partir de amanhã entre 10h e 21h, de
terças a domingos.
A curadora-adjunta da Bienal, Leonor Amarante, destaca o aspecto
"nômade" do evento, que não tem uma sede e ocupará seis espaços.
"A Bienal não tem medo deste deslocamento constante", comenta. "Aqui
é sempre uma surpresa para o espectador", acrescenta Leonor, que
percorreu 14 Estados brasileiros, além de Argentina, Uruguai, Paraguai
e Bolívia, para selecionar, junto ao curador-geral, Fábio Magalhães,
que visitou Chile e Peru, os artistas que participam da mostra.
Na escolha, eles contaram com o auxílio de curadores nos demais
países, conta Leonor.
"O ponto de partida foi fazer o resgate da pintura", afirma. A
curadora-adjunta da Bienal explica que o olhar foi lançado em busca
da pintura de maneira ampla, incluindo tendências diferentes, como
obras produzidas fora da forma habitual, sobre telas, e também trabalhos
que dialogassem com a fotografia. Esta abordagem estará exposta
no Santander Cultural, edifício histórico restaurado recentemente
no centro da cidade.
Somente o Hospital Psiquiátrico São Pedro, que será utilizado
pela primeira vez, abrirá suas portas hoje à noite, quando terá
atividades às 23h. Entre 16 e 20 de outubro, irá funcionar entre
21h e 23h. Nele, haverá o encontro das artes plásticas com as cênicas,
com participação de 18 artistas ou grupos.
Outro espaço que foge às áreas convencionais de exposições é a
Cidade dos Contêineres, construída às margens do Guaíba.
São 61 contêineres pintados de branco, uma cor que serve de condutor
para a Bienal, que contarão com acesso especial para deficientes.
A idéia dos contêineres surgiu em uma exposição na Dinamarca, de
1996. Sua apropriação na Bienal trabalha com outro conceito, explica
Leonor. "Eles são transformados em uma cidade, que não está mais
pronta para voltar ao seu local de origem", afirma. "Os contêineres,
que normalmente transportam as obras de arte, hoje se tornaram uma
obra em si mesmos", observa. Por fora são iguais, guardando as diferenças
para o interior, onde estão as obras, explica.
O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) receberá obras, como
parte do núcleo histórico da Bienal, do norueguês Edvard Munch (1863-1944)
e do mexicano Diego Rivera (1886-1957). A Usina do Gasômetro terá
uma exposição coletiva de sete artistas plásticos chineses contemporâneos
e outra do artista Tal R, nascido em Israel, que explora a gestualidade
e usa cores em abundância, segundo divulgou a organização. O Memorial
do Rio Grande do Sul terá exposição do artista multimídia Rafael
França, que morreu em 1991 e é o homenageado da Bienal. O evento
poderá ser visitado até 16 de dezembro.
Fonte: Jornal Estadão
16/10/2001
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