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Seguindo os sinais de Marcos Chaves
O pequeno espaço da galeria Laura Marsiaj, no Jardim Botânico,
foi transformado num parque de sensações. Na exposição
Logradouro, que o artista plástico Marcos Chaves
inaugura hoje, às 20h, a obra é a sala que a apresenta
e depende diretamente da participação do público.
Dono de um trabalho que sempre misturou a apropriação
de objetos cotidianos com jogos ópticos e fina ironia, Chaves
criou uma instalação em que reveste toda a sala com
faixas de trânsito pretas e amarelas. As tiras plásticas
cobrem o chão, o teto e as paredes, criando desenhos que
geram golpes de vista e também podem causar estranhamento
ou vertigem.
As faixas ultrapassam o limite da galeria e ganham a Rua J. J.
Seabra, sinalizando aos pedestres para o que pode ser visto na galeria
a própria sinalização.
Influências da arte pop e do construtivismo
É uma exposição do excesso, bastante
saturada, porque não acredito mais num mundo cool depois
que os aviões atravessaram os prédios em Nova York
diz ele, numa referência aos atentados ao World Trade
Center no dia 11 de setembro passado. Logradouro
é um trabalho que mantém minha relação
com o pop, com a inspiração que vem da rua. Também
misturo outras influências, como a op art, a arte cinética,
o construtivismo, os penetráveis do neoconcretismo. A instalação
é um pouco de cada coisa.
No texto de apresentação da mostra, o crítico
de arte e literatura Adolfo Montejo Navas tece outras relações,
comparando Logradouro à pintura pop/construtiva
de Raymundo Collares. Lembra ainda que o amarelo, cor associada
à loucura e transformada em sinal de atenção
no trânsito, teve importância capital na obra de Kandinsky.
Chaves tem intimidade com amarelos, faixas e sinalizações.
Ex-funcionário do extinto Banco Nacional, foi o responsável
por levar as faixas amarelas para o chão das agências,
com as linhas substituindo os antigos postes de metal na orientação
dos clientes. Os postes, aliás, reapareceriam mais tarde
unidos por finos fios de náilon em Hommages aux mariages,
instalação apresentada no Museu de Arte Moderna no
início dos anos 90. Também concebeu uma instalação
para a estação de metrô da Carioca Não
ultrapasse a faixa amarela nunca realizada.
Amanhã de manhã, o artista pega a ponte aérea
para fazer os últimos ajustes em sua sala na 25 Bienal de
São Paulo, que abre no sábado. Morrendo de rir
é uma instalação que toca num desejo universal
o de ser feliz e usa para isso um código que
independe dos idiomas as gargalhadas. Chaves gravou inúmeras
delas, das mais histéricas àquelas entrecortadas por
suspiros ou pausas para respiração. O público
vai entrar na sala ouvindo os risos em fones sem fio e percorrerá
fotos do artista em tamanhos gigantescos.
O artista foi flagrado gargalhando pelo fotógrafo Vicente
de Mello o resultado do ensaio são 16 painéis
gigantescos, com imagens de 2 m X 1,80 m e quer compartilhar
o riso com os visitantes. Os que estiverem estourando de tanto rir
vão poder descansar em pufes com rodinhas espalhados pelo
ambiente.
A expressão morrer de rir existe em várias
línguas diz Chaves. Quero muito que as pessoas
também sejam estimuladas a rir pelo som e pelas imagens,
porque o trabalho só se completa com a participação
do público.
MARCOS CHAVES, LOGRADOURO O artista transforma a galeria
em sua obra de arte.
Laura Marsiaj Arte Contemporânea: Rua J.J. Seabra 18, Jardim
Botânico 2529-6643. Ter a sex, das 14h às 22h.
Sáb, das 16h às 22h. Até 20 de abril.
Fonte: Jornal Oglobo.com
18/03/2002
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