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Mostra mapeia arte contemporânea
Maria Hirszman
Rio - Os artistas contemporâneos ganharam um importante
estímulo, com a instituição da 1.ª Mostra
Rio Arte Contemporânea. Organizada pelo Museu de Arte Moderna
do Rio, o evento é uma espécie de salão que
promete mapear e congregar o melhor da arte produzida recentemente
no País. Para chegar aos 29 nomes presentes na mostra que
será inaugurada nesta terça-feira à noite no
museu carioca foram analisados mais de mil projetos, de 17 Estados.
Cada um dos selecionados receberá um prêmio de R$ 1
mil e, amanhã à noite, serão divulgados os
nomes dos cinco vencedores, que ganharão um prêmio
de R$ 10 mil e uma exposição individual no Espaço
Cultural Sergio Porto.
Duas novidades chamam a atenção na organização
do evento. Em primeiro lugar foram formados dois júris distintos,
um de seleção - do qual participaram Glória
Ferreira (RJ), Jailton Moreira (RS), Lisette Lagnado (SP), Luiz
Camilo Osório (RJ) e Moacir dos Anjos (PE) -, que respeitou
um certo equilíbrio geográfico, e outro de premiação,
formado pelo diretor do MAM, Fernando Cocchiarale, pelo colecionador
Gilberto Chateaubriand e, de novo, por Glória Ferreira.
Outra característica curiosa da mostra, e que deve ser minimizada
nas outras edições se o objetivo for realmente descobrir
novos talentos, é que dela participam tanto artistas em início
de carreira quanto aqueles que já têm uma trajetória
nacional e internacional consolidada. É o caso, por exemplo,
da dupla franco-brasileira Maurício Dias & Walter Riedveg,
atualmente um dos destaques da 25.ª Bienal de São Paulo.
Apesar de todas as técnicas e suportes estarem representados,
há um evidente predomínio de trabalhos usando imagens
digitais, seja vídeo ou fotografia. Os temas também
são os mais variados, mas há uma tendência à
metalinguagem, a uma reflexão conceitual acerca da própria
história da arte.
Outro fato curioso que se constata ao analisar a lista de participantes
é que a grande maioria da produção contemporânea
hoje é feita por bacharéis, mestres e doutores da
arte, muitos deles com passagens por grandes instituições
internacionais, numa espécie de academização
da arte. Também há uma tendência a valorizar
a experiência, já que a média de idade dos selecionados
supera os 33 anos.
No total, a prefeitura do Rio está investindo cerca de R$
1 milhão para financiar esse projeto, que inclui também
a realização de duas exposições paralelas:
Violência e Paixão e Hélio Oiticica: Obra e
Estratégia. A primeira, com curadoria de Ligia Canongia,
reúne 21 trabalhos de diferentes gerações e
estilos, mas que têm em comum uma certa dramaticidade _ que
possuem, segundo a crítica,"a vitalidade da pulsão
romântico-expressionista, como contrapartida à harmonia
e ao equilíbrio das tendências clássicas".
A exposição de Oiticica, organizada por Luciano Figueiredo,
tem por objetivo evidenciar a lógica interna do trabalho
desse artista, por meio da exibição de 95 obras e
480 documentos, enfocando as várias fases de sua produção.
Fonte: Jornal Estadão
18/04/2002
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