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Antonio Manuel expõe pinturas em SP

Maria Hirszman

São Paulo - As pinturas inéditas que Antonio Manuel exibe no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, trabalham o espaço por meio de combinações geométricas e cromáticas pouco usuais, criando um universo bastante particular que ao mesmo tempo que deriva da tradição de arte construtiva brasileira, remete à liberdade de ação associada à natureza contestatória de sua produção, uma das mais provocativas intervenções artísticas das décadas de 60 e 70, como sua antológica aparição, completamente nu, no Salão Nacional de Arte, no MAM do Rio, em 1970.

Como bem resume Sônia Salzstein no texto Observador em Órbita, seu interesse não está na pureza das formas, no rigor das construções, mas sim em levá-las a seu limite, quase à dissolução. "Nas últimas telas de Antonio o espaço se constrói passo a passo, como num mosaico sem fim no qual a inserção de cada peça não assinala, diferentemente do que se poderia supor, o preenchimento de um lugar conhecido, mas a conquista de uma posição", resume.

Ao contrário da segurança compositiva, do contraste definido e claro, o que sentimos diante das telas do artista - sensação que se amplia conforme o tempo que dedicamos a observar suas obras - é a inexistência de uma terra firme, é a descoberta de novas relações espaciais. Um quadrado branco se destaca do fundo azul e negro, descobrimos um pequeno quadrado amarelo que até há pouco passava despercebido...

A maioria das cores usadas é profunda e suave. Os contrastes não são estridentes e, mais do que oposições, ele explora as frágeis relações entre esses campos, tira-os da segurança das regras abstratas da geometria, e transgride ao explicitar o caráter ilusório da pintura. Até mesmo o fato de algumas dessas telas possuírem títulos como Quatro Portas ou Ela reforça a necessidade do artista de recorrer ao discurso narrativo, não como forma de explicitar uma determinada história, mas como afirmação de que sua arte nasce, sempre, da vivência, das relações do homem com o mundo.

Antonio Manuel. De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 11 às 14 horas. Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Rua Artur de Azevedo, 401, em São Paulo, tel. (11) 3083-6322). Até 14/11.


Fonte: Jornal Estadão
24/10/2002