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Feira Arco de Madri valoriza a arte do Brasil

MADRI - Terminou ontem, na Espanha, a Arco 2003, a 22.ª Feira
Internacional de Arte Conteporânea de Madri, que nesta edição
reuniu 275 galerias de todo o mundo. Dentre elas, 168 eram espanholas.
O Brasil se fez presente representado por nove galerias: Casa Triângulo,
Luisa Strina, Brito Cimino, Marília Razuk, Gabinete de Arte
Raquel Arnaud, Nara Roesler, Dan Galeria, Fortes Vilaça --
de São Paulo - e Laura Marsiaj, do Rio.
A participação brasileira foi significativa, se
considerarmos que, de toda América Latina, participaram
25 galerias. Em termos de comparação, a Argentina,
que passa por forte crise econômica, marcou presença
com três de suas galerias. E por outra ótica, que
não a quantitativa, o Brasil participou de dois espaços
especiais da Arco, os estandes dedicados aos projetos curatoriais.
Nelson Leirner, representado pela Brito Cimino, levou a instalação
Armazém, no programa Art Unknown, curado pelos estrangeiros
Bartide Baere, Charles Esche e Bárbara Steiner. O mesmo
programa selecionou Brígida Baltar, da Galeria Nara Roesler.
Outro programa especial da Arco, intitulado Up and Coming, dedicou
um de seus estandes para os trabalhos de Sandra Cinto -- que fez
na parede do espaço expositivo, um site specific, com a
parede pintada de verde e desenhos a grafite, um pedaço
da instalação que apresentou no ano passado na Casa
Triângulo-- e de Lúcia Koch, ambas escolhidas pelo
curador português Miguel Von Perez. A galeria carioca Laura
Marsiaj também esteve nesse mesmo segmento Up and Coming.
Os projetos curatoriais tentam aliviar um pouco o caráter
comercial da feira de arte. A própria presidente da Arco,
Rosina Gomez-Baesa, avaliou que esta feira foi mais dirigida a
compradores de obras de arte. Para se ter uma idéia disso,
basta verificar o preço do ingresso: era 23 euros, o equivalente
a cerca de R$ 92. Um montante de 5 milhões de euros foi
usado para se estruturar essa edição da feira.
Mas a Arco também conseguiu ser, mais uma vez, uma vitrine
para os artistas.
Como comentou o galerista Ricardo Trevisan, da Casa Triângulo:
"Interessa muito a visibilidade, principalmente para as instituições
culturais." Sandra Cinto expôs no novo centro cultural
madrileno, La Casa Incendida. A Fundação Arco já
adquiriu obras de Lúcia Coch, Rubens Mano e de Albano Afonso.
A galerista Luisa Strina afirmou que "as instituições
espanholas têm verba do governo para a aquisição
de obras".
Para colecionar - A presidente da Arco, Rosina Gomez, garantiu
que 144 mil euros foram destinados a compras de obras. "A
venda na Arco se faz mais para colecionadores espanhóis",
disse Luisa Strina, sobre a maior procedência dos interessados
na arte brasileira. E emendou: "A Espanha promove um intercâmbio
com o Brasil bem interessante, só que mais proveitoso para
o próprio Brasil. Por exemplo, o Museu Reina Sofia (em
Madri) fez uma exposição com Cildo Meirelles. Mas
quantas exposições espanholas foram feitas no Brasil?"
A Arco 2003 teve como país convidada especial a arte da
Suíça. Para os seguintes anos de 2004 a 2007, já
estão definidos como países convidados da Arco,
respectivamente, Grécia, Canadá, Áustria
e Coréia. A arte suíça está presente
também em outro lugar de Madri, no Museu Nacional Centro
de Arte Reina Sofia, que apresenta até 12 de maio a exposição
Suíça Construtiva, sobre a arte concreta a partir
dos anos 1920. São fotografias, pinturas e objetos de design
realizados por artistas como Max Bill, Richard Paul Lohse e Sophie
Daeuber-Arp, entre tantos outros. O destaque são para as
obras da década de 30, muitas delas dedicadas ao design.
Os suíços construtivos tinham como conceito fazer
uma "casa operacional" em contraposição
à extravagância das ditas casas burguesas, e as pinturas,
geométricas, sinalizavam que a arte concreta aboliu o inconsciente.
Fonte: O estado de São Paulo
20/02/2003
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