|
Arte brasileira ganha visibilidade
em Madri
Camila Molina, enviada especial
Madri - Segundo Rosina Gómez-Baeza Tinturé, diretora
da Arco - uma das mais importantes feiras mundiais
de arte contemporânea, que ocorre todos os anos
em fevereiro, em Madri -, a participação
latino-americana está estável durante
os últimos anos. Apesar dessa constatação,
das 33 galerias de todos os países da América
Latina, o Brasil conseguiu ser representado nesta
21.ª edição por 10 galerias: Luisa
Strina, Fortes Vilaça, Brito Cimino, Gabinete
de Arte Raquel Arnaud, Baró Senna, Valu Oria,
André Millan, Casa Triângulo, Thomas
Cohn e Marília Razuk. E foi um país
que aumentou a sua participação em relação
ao ano passado, quando ocupou oito estandes do enorme
Parque Feiral Juan Carlos I. As novidades são
as duas últimas galerias da lista acima.
A participação, porém, mostra
dificuldades. Luisa Strina, que vai à Arco
há cerca de dez anos, afirma que é muito
caro transportar obras brasileiras para a feira. "O
Brasil é um dos poucos países que não
recebem ajuda estatal para vir." Como exemplo,
ela cita os representantes de Portugal, que têm
ajuda quase integral do governo. O mesmo ocorre com
a Austrália, país convidado-especial
deste ano. Apesar de tudo, há um grande interesse
dos estrangeiros pela arte brasileira.
A começar pela própria Espanha. "É
o país que mais valoriza a arte brasileira",
comenta Luisa. "Acho importante a força
que eles deram às nossas galerias", diz
Thomas Cohn, sobre o fato de a Arco ter colocado os
brasileiros em posições privilegiadas
do 9.º pavilhão do parque. A organização
dispôs as galerias brasileiras no mesmo lado
do pavilhão, medida que as deixou concentradas
e facilita o acesso dos visitantes. Vale dizer que,
nos dois pavilhões da Arco, todos os países
ficam misturados e não há nenhum tipo
de agrupamento de galerias.
O Brasil também conseguiu destaque tanto no
catálogo da mostra quanto nos textos feitos
por críticos que trabalham na Feira. Além
das obras das galerias, no Project Rooms (Salas de
Projetos), o País é um dos 11 escolhidos
para ocupar essa seção muito visível
da feira, em que cada artista ocupa um espaço
individual. Entre os 24 artistas selecionados, estão
Artur Barrio (levado por Luisa Strina) e Cabelo (Galeria
André Millan). E na seção Cutting
Edge, os artistas Fabiana de Barros e Caio Reisewitz,
levados pela Brito Cimino, representam o País
ao lado de mais 22.
Nos estandes das galerias - espaço de venda
e visibilidade (mais de venda por causa dos altos
custos) -, há artistas brasileiros consagrados
como Lygia Clark, Antonio Dias, e também Marepe,
artista destacado por Luisa Strina conhecido no exterior.
Nascido e ainda habitante da cidade de Santo Antônio
de Jesus, no interior da Bahia, Marepe já participou
de exposições na Alemanha, Itália,
em Nova York e na própria Espanha. Apesar de
sua trajetória internacional bem-sucedida,
o baiano nunca teve uma individual no Brasil e agora
prepara sua participação na 25.ª
Bienal Internacional de São Paulo.
A Thomas Cohn mesclou obras de brasileiros e de estrangeiros,
como o inglês John Chilver e o americano John
Wesley. E, por fim, a Fortes Vilaça teve a
preocupação de levar obras recentemente
expostas, de artistas como Iran do Espírito
Santo. A galeria também exibe o vídeo
Vera Cruz, de Rosângela Rennó - único
espaço brasileiro com projeção
de obra audiovisual.
A América Latina, que é um destaque
na Arco, ganhou nesta edição o Fórum
Latino, com discussões sobre a situação
no continente. Entre os participantes das mesas de
debates estarão os curadores Helmut Batista,
Ivo Mesquita, Ana Paula Cohen e Adriano Pedrosa.
Fonte: Jornal Estadão
18/02/2002
|