Nasceu
em Lucca e viveu no Cambuci
Jotabê
Medeiros
São
Paulo - O pintor Alfredo Volpi (1896-1988) chegou ao Brasil
com 2 anos, vindo da bela Lucca, na Itália. Na juventude,
vivendo no Cambuci, pintava paredes e decorava interiores
de casas de gente rica para ganhar a vida.
Entre
os 12 e os 16 anos viveu assim, entre carpintarias e tipografias.
O pai vendia frutas e legumes pelas ruas. Aos 16, passou
a pintar frisos e arabescos em residências. Só
começou a viver de sua arte nos anos 40, quando já
traduzia as paisagens rurais do interior de São Paulo,
de Itanhaém a Piracicaba, em quadros que se revelavam
cada vez mais abstratos, prescindindo da figura.
Nos
anos 40, já era reconhecido pela crítica como
uma figura única dentro da arte moderna brasileira,
mas também sofria preconceito por não ter
um desenvolvimento acadêmico, por sua natureza autodidata.
"Como explicar, pois, esse silêncio, essa indiferença
em torno de seu nome?", escreveu o crítico Luís
Martins em 1941. "Pela própria natureza retraída
e gauche do pintor. Porque ele é modesto, tímido,
não sabe dar palpites, não freqüenta
lugares onde os mais sabidos brilham. Porque ele não
expõe e, quando o faz, é apenas nas mostras
coletivas. Porque ele não sabe procurar os jornalistas
nem tem jeito para se insinuar entre os críticos
de arte", respondeu o próprio Martins.
Esse
estilo Volpi manteve até o fim, um sujeito simples
que via o mundo por um filtro especialíssimo.
Fonte:
Jornal Estadão
11/08/2001