Exposição
mostra o Rio com o lixo nas ruas
Adriana Ferreira
Rio de Janeiro - O papel de bala, o saco de biscoitos e
a guimba de cigarro que são jogados fora da lata do lixo
custam muito caro ao poder público. Por conta disso, a Companhia
de Limpeza Urbana (Comlurb) gasta anualmente R$ 67 milhões
do seu orçamento total, que é de R$ 300 milhões, somente
para retirar a sujeira das ruas. "Se fosse feita essa economia,
a prefeitura poderia estar destinando esta quantia para
outras áreas como, por exemplo, a saúde", constata o Diretor
Técnico e Industrial da empresa, José Guimarães Bulus.
Com o objetivo de alertar o carioca para a questão, a Comlurb
inaugurou, hoje, no Planetário da Gávea, uma exposição que
trata do assunto. São depoimentos, caricaturas e fotografias
que mostram como fica a cara da cidade por causa mau hábito
que as pessoas têm de jogar o papéis no chão. A mostra,
que fica até setembro no Planetário, será itinerante. Entre
os 64 depoimentos gravados em vídeo estão os do cantor e
compositor Gilberto Gil, da atriz Maitê Proença e do cartunista
Ziraldo.
O
carioca produz 8 mil e 250 toneladas de lixo por dia. Do
total de serviço de limpeza urbana executado pela Comlurb,
62% são destinados à coleta de lixo domiciliar. Os 38% restantes
do volume total são recolhidos das ruas. Levando-se em conta
que destes 38% há uma parte que não é conseqüência da ação
do cidadão, como a queda de folhas das árvores, o Rio registra
28% só de sujeira provocada pela falta de educação de sua
população. Em cidades da Europa e dos Estados Unidos este
número é de 7 ou 8%.
A
diretoria da Comlurb vem conversando com a Secretaria Estadual
de Educação do RJ para que seja inserida no currículo do
ensino fundamental uma cadeira de educação social. "É necessário
criar uma consciência social e ambiental. Mas sabemos que
se este projeto for implantado, os resultados serão de médio
ou longo prazo", pondera Bulus.
O
diretor técnico da companhia sabe que, antes disso, é necessário
criar uma proposta mais imediata para conter não só as despesas
como a degradação do meio ambiente. Para Bulus, a solução
a curto prazo pode ser obtida com campanhas educativas permanentes.
"Educação ambiental por espasmo não adianta, não fixa na
cabeça das pessoas. O problema é que o poder público não
tem verba suficiente para manter este tipo de propaganda
permanente" lamenta. Ele considera que a saída é tentar
sensibilizar os meios de comunicação. "Não vejo outra alternativa:
se não houver uma parceria com a mídia, não chegaremos lá",
constata.
Atualmente,
a Comlurb tem 7.200 garis trabalhando no seu sistema de
coleta de lixo. Destes, 3.600 fazem a parte de varredura
de rua. Hoje existem 57 mil latinhas instaladas. No ano
cerca de 4.200 são destruídas, enquanto outras 6.800 cestas
são recuperadas. O custo de uma lata do lixo nova fica em
R$ 48 enquanto a empresa gasta R$ 16 para reformar cada
peça danificada.
Fonte: Jornal
Estadão
16/08/2001