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Bienal de São Paulo define lista de participantes
Fernando Oliva
São Paulo - De acordo com os 65 nomes que integram a lista
definitiva do tradicional - e polêmico - módulo
das Representações Nacionais na 25.ª
Bienal de São Paulo (confira a seleção
completa), o público pode ir se preparando
para uma enxurrada de imagens fotográficas
e trabalhos de videoarte, ao lado de alguma pintura,
poucos objetos e quase nenhuma escultura, situação
que reflete uma tendência internacional na arte
contemporânea, que deu o tom na última
Bienal de Veneza e outras megamostras dos últimos
anos.
O visitante da exposição paulistana,
que abre as portas em 23 de março, também
vai deparar com centenas de fotografias e vídeos
no módulo inédito Iconografias Metropolitanas
- cuja composição final, com 66 artistas,
também acaba de ser divulgada pela Bienal.
Cada vez mais fortalecidas, as Representações
Nacionais entretanto continuam a gerar controvérsia
e a opção de mantê-las enfrentou
forte resistência nesta 25.ª edição.
Ironicamente, a famigerada seção está
agora maior que nunca: incluindo a mostra de videoarte
africana, são quase 70 países. Nesse
modelo importado de Veneza, a mãe de todas
as Bienais, os artistas são apresentados em
pavilhões nacionais, o que, segundo seus detratores,
incentivaria uma arte oficial, já que muitos
deles são indicados (e patrocinados) pelos
governos de seus países. Outra crítica
comum é que, em um mundo globalizado, não
faz mais sentido compartimentar os artistas em nações.
O alemão Alfons Hug, curador-geral da 25.ª
Bienal, desdenha o coro dos insatisfeitos, não
quer mais ouvir falar em crise, cita o exemplo bem-sucedido
da inabalável Veneza e afirma que o modelo
está mais vivo do que nunca. "O número
de pavilhões nacionais em Veneza e São
Paulo cresce de ano em ano e países que até
recentemente estavam posicionados à margem
se candidatam agora por um dos cobiçados lugares
na lista das nações", argumenta
Hug, lembrando que atualmente a curadoria da Bienal
acompanha de perto a seleção das representações
nacionais. "Somente esse sistema possibilita
a execução de projetos destacados de
grande porte, que uma exposição com
curadoria livre pode se permitir apenas em casos excepcionais,
como a Documenta de Kassel, especialmente bem dotada
de recursos financeiros."
Como uma das grandes apostas deste ano, Hug aponta
o representante do Congo, o pintor Chéri Samba,
que faz uma bem-humorada e irônica crítica
ao sistema de arte, ao se retratar ao lado do mestre
Pablo Picasso em várias situações
comuns ao cotidiano dos artistas. Em um de seus quadros,
ele e Picasso vão juntos levar seus portfólios
a uma academia de belas-artes, em algum lugar da África
negra.
Pablo Rivera, do Chile, mostra-se conectado com o
grande tema da Bienal (A Metrópole) e traz
a São Paulo modelos em tamanho real de casas
populares de Santiago, em que apenas a estrutura modular,
vazada, é reproduzida, em madeira.
Da Holanda, chega o Ateliê Van Lieshout, famoso
por suas obras de grande porte e intervenções
públicas. Na Bienal, o grupo de artistas vai
recriar o ambiente asséptico de uma academia
de ginástica, mas inserindo no topo uma cama
coletiva que comporta até 25 pessoas.
"Mais uma vez, a Bienal convida os artistas do
mundo para criar obras que se distinguem pela sua
densidade, intensidade e radicalismo, para que a arte
se torne novamente maior do que a cidade", diz
Hug. "Se a arte hoje ainda possui uma função,
consiste em reduzir o caráter desmedido do
drama urbano e construir espaços isentos de
dominação", continua ele.
Contudo, a coqueluche da exposição é
mesmo a seção Iconografias Metropolitanas,
mostra internacional que apresenta o estado da produção
artística mundial com base no exemplo de 11
metrópoles: São Paulo, Caracas, Nova
York, Johannesburgo, Istambul, Pequim, Tóquio,
Sydney, Londres, Berlim e Moscou. Cada cidade é
representada por cinco artistas, sem consideração
da nacionalidade dos mesmos. Há ainda uma 12.ª
cidade, "imaginária", a Cidade Utópica,
que congrega 11 nomes.
Este ano, a representação brasileira
de arte contemporânea é poderosa, reunindo
21 artistas - além de outros cinco ligados
a Iconografias-São Paulo, mais três brasileiros
na Cidade Utópica e as salas especiais de Carlos
Fajardo, Nelson Leiner e Karin Lambrecht
Fonte: Jornal Estadão
09/01/2002
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