Pinacoteca
expõe "Cotidiano" de João Primo
Flávia
Guerra
São Paulo - Cotidiano é mais
que a rotina do dia a dia. Vai muito além do binômio casa-trabalho.
Para o fotógrafo João Primo, cotidiano é sinônimo de viagens
para lugares contrastantes, conhecer hábitos e costumes
diversos. "Por ter trabalhado muito tempo como repórter
fotográfico, meu cotidiano acabou se tornando a própria
viagem, o país estranho, o povo diferente", conta. "Sempre
carrego comigo uma máquina para as fotos jornalísticas e
outra para minhas fotos pessoais. Entre uma reportagem e
outra, esperando um trem, andando pelas ruas, sempre encontrava
um tempo para flagrar minhas fotos."
Essa brincadeira resultou em
mais de 16 mil imagens de lugares como Japão, Itália, Amazônia,
Lençóis Maranhenses, Suíça e Emirados Árabes. Um pouco disso
pode ser conferido a partir de amanhã em Cotidiano, exposição
que entra em cartaz no Bravo Café Ramos, na Pinacoteca do
Estado. Sob a curadoria de Diógenes Moura, Primo selecionou
25 fotos em preto-e-branco para compor a mostra. São obras
que, muito mais que o "outro", revelam também o olhar do
fotógrafo sobre a vida nas cidades. "Ao fotografar o cotidiano
deles, acabava revelando também o meu", explica. O prazer
por se encantar com o "ir e vir" entre uma viagem e outra,
Primo deve a seu avô Odílio. "Que desde muito pequeno me
levava para viajar e me educou o olhar. Há muitas coisas
acontecendo entre um destino e outro em uma viagem. Enquanto
esperava um trem, observava e registrava a vida local."
Mais que contar uma história
por meio da imagem, Primo corre literalmente atrás de seus
personagens. "Gosto de flagrar pessoas, seus movimentos.
Várias vezes, logo depois de fotografar alguém, procuro
a pessoa, converso, fico até amigo", conta. Essa interação
lhe garantiu experiências marcantes. "Quando morei em São
Francisco trabalhando como correspondente, tinha muito tempo
ocioso. Andava pelas ruas e comecei a perceber que me identificava
com os homeless (sem-teto), que também vagavam pela cidade.
Como estrangeiro, estava muito mais próximo deles do que
de qualquer outra pessoa", relembra. A obra de Primo está
longe de ser finalizada. "Esse é um hábito que nunca vou
perder." Também por esse motivo, "Cotidiano" vai se transformar
em um livro homônimo até o fim do ano, mais completo. Terá
cem fotos e contará muito mais sobre os "dias" de sua vida.
João Primo. De terça
a domingo, das 10 às 17 horas. R$ 5,00 (estudantes pagam
meia; grátis às quintas e para menores de 7 e maiores de
65). Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, tel. 229-9844.
Até 23/9. Patrocínio de Vera Cruz Vida e Previdência, BR,
Estar Seguros e governo federal.
Fonte: Jornal
Estadão
23/07/2001