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Leilão "Joaquim Nabuco" arrecada R$ 11 milhões
DANIEL ENGELBRECHT
free-lance para a Folha de S.Paulo

O leilão de obras de arte, mobiliários e objetos pessoais do acervo da família do abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910) rendeu mais de R$ 11 milhões. Foram levadas a leilão 977 peças e vendidas cerca de 900. Os lances começaram na segunda passada e terminaram anteontem, no Rio.

Um conjunto de três painéis do pintor Cândido Portinari (1903-62) foi a grande atração, com o preço recorde de R$ 7,6 milhões. O tríptico representando a fauna e flora brasileiras, em óleo sobre tela, feito para o casal José Thomaz e Maria do Carmo Nabuco, em 1938, foi comprado por um colecionador de São Paulo que preferiu manter o anonimato.

Foram negociados ainda quadros de Cícero Dias (1907-2003), Armand Julien Pallière (1784-1862), cujo quadro "Retrato do Filho do Artista na Varanda da Casa do Avô" foi a segunda peça mais cara do leilão (R$ 1 milhão), e objetos pessoais de Nabuco, como a mesa de trabalho e as cadeiras em mogno inglesas de 1830, onde o abolicionista escreveu "Minha Formação", um de seus livros mais importantes (conjunto vendido por R$ 102 mil).

"A família Nabuco ficou muito satisfeita com o resultado do leilão e surpresa com a valorização de algumas peças", disse o leiloeiro Acir Joaquim Costa, citando como exemplo o tinteiro usado pelo abolicionista, avaliado em R$ 3.000 e arrematado por R$ 41 mil.

De acordo com o consultor João Carlos Lopes dos Santos, autor do "Manual do Mercado da Arte", o leilão, que aconteceu na Galeria de Arte Leone, em Laranjeiras, foi um dos mais importantes já realizados no país. Alguns itens foram comprados pelos próprios membros da família Nabuco, que optou pelo leilão como a melhor forma de fazer a partilha dos bens.


Folha online
11/06/2003