NOTÍCIAS
 

Pinacoteca exibe mostra de Ivens Machado
Camila Molina

São Paulo - Concreto, pedaços de vidro e de telhas, madeira, papel e tantos outros materiais são a base de 35 anos de carreira do artista Ivens Machado, que ganha uma retrospectiva de seu trabalho a ser inaugurada neste sábado na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Com patrocínio do programa Petrobras Artes Visuais, a mostra ocupa, com esculturas objetos, desenhos e instalações, o hall octogonal, o pátio interno, o mirante e uma sala especial do prédio. Já mostrada no Rio, a retrospectiva segue depois para o Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba.

Também fazendo parte da homenagem, será lançado, na ocasião, o livro Ivens Machado - O Engenheiro de Fábulas, edição coordenada pela curadora Ligia Canongia e que reúne textos bilíngües dos críticos e curadores Paulo Herkenhoff, Paulo Sérgio Duarte, Fernando Cocchiarale, Milton Machado, Eduardo Jardim e Márcio Doctor, além de contar com reproduções de cerca de 150 obras do artista.

Ivens Machado nasceu em Florianópolis, e em 1964 mudou-se para o Rio, onde freqüentou a Escolinha de Arte do Brasil. Mas somente em 1973 seu trabalho foi amplamente conhecido, quando apresentou sua instalação Cerimônia em Três Tempos, no Museu de Arte Moderna do Rio. A instalação será montada nessa exposição e foi por causa dela que Machado ganhou o Prêmio de Viagem ao Exterior. Também foi em 73 que o artista participou da 12.ª Bienal Internacional de São Paulo. Desde então, Ivens Machado não parou mais.

Concreto - Atraído pela arquitetura popular brasileira, um dos materiais mais usados é o concreto. "Não sou arquiteto, mas sempre gostei da idéia de construir espaços de abrigo", diz. Mas, além do concreto, sua obra mistura outros materiais de construção como vidros, pedaços de telha coloniais (que pode ser vista na instalação que ocupa um paredão do pátio interno) e pedras portuguesas.

E o interessante é que esses materiais, incorporados a outros que são a base de suas obras, adquirem uma visualidade diferente. Até mesmo quando o próprio concreto é pintado com pigmentos.

Ademais, o gosto por esses materiais está relacionado à idéia de rusticidade. "Uma das minhas buscas é o primitivo", afirma Machado. Outra idéia do artista é que muito raramente coloca títulos em suas obras. Muitas vezes, os colecionadores - que cederam alguns dos trabalhos para essa retrospectiva - batizam suas esculturas como, por exemplo, Gilberto Chateaubriand que, informalmente, deu nome a duas peças: India, abrigada no mirante da Pinacoteca, e Lágrima, escultura em concreto, pigmentos e rede metálica.

Mas não há só esculturas e instalações nessa retrospectiva. A série dos Cadernos, feita entre as décadas de 70 e 80, estará exposta em uma sala especial da Pinacoteca. Nesse trabalho, Ivens Machado desorganiza as pautas de cadernos escolares. "Para aquela época, parti da idéia de que o papel pautado era um tipo de controle, já que as pessoas não podiam escrever livremente", explica o artista. Para compor essa série Machado comprou uma bobina de fazer pautas e, desse modo, poderia transformá-las seja cruzando as linhas, fazendo-as sumir levemente, ou corrigi-las com borrachas.

Serviço - Ivens Machado. De terça a domingo, das 10 às 18 horas. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, tel, 229-9844. Até 5/5. Abertura às 19 horas para convidados.


Fonte: Jornal Estadão
18/03/2002