|
Museu Nacional leva a história da ciência
à Internet
Lucia Martins
Rio - O Museu Nacional quer contar a história da ciência
no Brasil a partir de fotos e documentos acumulados em seu arquivo
desde que a instituição foi fundada por d. João
VI, em 1818. Nos próximos dois anos, os pesquisadores pretendem
colocar na Internet o material que hoje entope estantes e armários
do Palácio de São Cristóvão, prédio
da Quinta da Boa Vista, onde ficam as principais instalações
do museu.
São milhares de imagens e documentos que serão catalogados
e organizados por tema para tornar mais fácil a pesquisa.
O arquivo inclui fotos de personalidades famosas que visitaram o
museu ao longo dos anos - entre eles, Albert Einstein e Santos Dumont
- e cartas que contam as atividades desenvolvidas no local.
"Estamos reorganizando o material porque, como o arquivo não
era informatizado, as informações estavam perdidas
e dispersas. Por incrível que pareça, muita coisa
ainda está catalogada em fichas de papel", diz Maria
José Veloso Santos, responsável pelo projeto.
O Museu Nacional é a mais antiga instituição
científica e cultural do Brasil. Até 1892, ele funcionava
em um prédio no Campo de Sant´Ana, centro do Rio. No
século 19, o museu era considerado a mais importante instituição
científica brasileira, desenvolvendo pesquisas e fazendo
muitas exposições.
Passavam por lá muitas personalidades ilustres que visitavam
o País. A coleção permanente inclui mais de
9 milhões de peças, entre elas múmias, um meteorito
(Bendegó), uma coleção de minerais (famosa
por ter sido cobiçada por Napoleão), um esqueleto
de uma baleia e a coleção egípcia. Ao longo
do século passado, além do museu, o Palácio
de São Critóvão passou a abrigar também
cursos de pós-graduação em antropologia social,
zoologia e botânica e laboratórios de pesquisa. Com
a falta de verbas, o arquivo acabou sendo esquecido nas prateleiras
e armários empoeirados.
Até mesmo os pesquisadores do museu desconhecem a totalidade
do arquivo. No ano passado, quando começou o trabalho de
limpeza e conservação do material, os pesquisadores
se surpreenderam ao encontrar, por acaso, fotos desconhecidas de
Marc Ferrez, um dos pioneiros da fotografia no País que ficou
famoso por suas imagens do Rio de Janeiro no século 19.
Ciência descritiva - A primeira fase da digitalização
será organizar o material do século 19. Cartas, contratos,
convites e relatórios do arquivo dão uma idéia
clara de como se fazia ciência no Brasil naquela época.
Há uma vasta correspondência entre os diretores do
museu e instituições internacionais, indicando a troca
constante de informação do Brasil com outros países.
Outros documentos relatam como funcionava o trabalho do "naturalista
viajante", um funcionário do museu que andava pelo País
em busca de diferentes espécies de plantas e animais.
"Era uma época em que a ciência descritiva era
muito importante", analisa Maria Amélia Mascarenhas
Dantas, professora da Faculdade de Filosofia da Universidade de
São Paulo, especialista em história da ciência.
Maria Amélia lembra uma história narrada em uma pesquisa
orientada por ela na Universidade de São Paulo (USP). "O
manto usado por d. Pedro II em sua coroação foi feito
com as penas dos tucanos da coleção do museu. Isso
dá idéia de como era estreita a relação
da família real com o museu."
Uma parte do arquivo já está na Internet, no site
www.minerva.ufrj.br. Trata-se do arcevo pessoal de José Feio,
que foi diretor do museu entre 1941 e 1973. Esse material fala principalmente
da história do Palácio São Cristóvão.
"Decidimos colocar esse arquivo na Internet porque ele era
o melhor catalogado, mas à medida que digitalizamos o restante
do material reformularemos a forma apresentada na web", explica
a bibliotecária Maria José.
Fonte: Jornal Estadão
08/05/2002
|