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Inéditos na arte, de Oiticica a Bechara
Uma tela de Carlos Vergara de capim com pigmento azul, encostada
numa parede do ateliê do artista, acendeu na marchand Silvia Cintra
a idéia de uma exposição diferente, em que vários artistas apresentariam
obras que fugissem à sua linha usual de trabalho. Garimpando aqui
e ali, Silvia acabou encontrando telas, esculturas e objetos de
dez artistas, incluídos na exposição “Atípicos”, que ela abre hoje
para convidados em sua galeria, em Ipanema.
Vários dos trabalhos têm valor afetivo, seja pelo fato de serem
peças-piloto de séries nunca desenvolvidas, como a colagem da escultora
Iole de Freitas, ou por serem peças realmente únicas, como um livro
criado por Waltercio Caldas para sua filha a partir de recortes
de gibis. Há ainda um Cristo em alumínio de Eduardo Sued, um objeto
de chumbo com colheres do fotógrafo Miguel Rio Branco, um tampo
de mesa de Amílcar de Castro, uma mesa de centro pintada por Iberê
Camargo, aquarelas de José Bechara e uma pequena pintura de Beth
Jobim.
Há ainda o surpreendente conjunto de 21 pranchas feitas por Hélio
Oiticica em 1971 para o cenário do filme “A cangaceira eletrônica”,
um projeto de Antonio Carlos da Fontoura que ainda não saiu do papel.
Fonte: Jornal O Globo
28/08/2001
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