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Exposição quer 'expressar
os mistérios do inconsciente'

De hoje até o dia 10 de janeiro, a Sala do Inconsciente
do Museu Nancional de Belas Artes receberá
a exposição "Pensarte", com
trabalhos realizados pelos pacientes em tratamento
do Hospital Dia Harmonia, do Centro Psiquiátrico
do Rio de Janeiro. As 23 obras da mostra foram produzidas
por pessoas com distúrbios mentais em oficinas
terapêuticas do hospital, coordenado pelo psiquiatra
Elias Cotrim. A exposição que pretende
"expressar, através da arte, os mistérios
do inconsciente" será inaugurada nesta
terça-feira, ao meio dia.
- Através da arte eles podem organizar o universo
interno e isso auxilia no tratamento - explica Elias
Cotrim, coordenador do Hospital Dia Harmonia.
Além da "finalidade terapêutica",
as oficinas também auxiliam na readaptação
ao convívio social, como explica Elias Cotrim.
- Muitas vezes o que acontece com usuários de
hospital psiquiátrico é que eles perdem
a sociabilidade. Quando não estão em
crise, estão apáticos. A arte é
uma maneira de eles recuperarem o convívio
social - conta Cotrim.
Ao todo serão 23 trabalhos - 17 pinturas e seis
esculturas em argila - produzidos por dez usuários
do hospital, em oficinas realizadas como complemento
do tratamento convencional. Além da oficina
de pintura, os pacientes também têm apoio
psicológico, familiar, e outras atividades
culturais, como aulas de dança e canto. E já
até formaram uma banda, a "Harmonia Enlouquece".
- Percebemos uma evolução grande no tratamento
das pessoas que participam das oficinas. Elas melhoram
a aparência, ganham mais autonomia e convivência
familiar, além de aumentar a auto-estima -
diz Elias Cotrim.
Esta não é a primeira vez que os pacientes
do Hospital Dia Harmonia expõem no Museu Nacional
de Belas Artes. Na primeira "Pensarte",
realizada em 1999, quase todos os quadros foram vendidos.
A nova edição da mostra traz quadros
novos, produzidos durante este ano.
O Hospital Dia Harmonia pertence ao Centro Psiquiátrico
do Rio de Janeiro, da Secretaria Estadual de Sáude,
e funciona desde 1996, com uma proposta de tratamento
psiquiátrico, que não utiliza a internação.
Os pacientes chegam de manhã, passam o dia
e, à noite, voltam para casa.
- Não somos contra à internação,
mas só a utilizamos em último caso.
Deixar um paciente internado num hospital psiquiátrico
se ele puder ser tratado sem internação
só contribui para que ele cronifique, ou seja,
fique apático e perca o convívio social
- defende Cotrim.
PENSARTE - MOSTRA DE ARTE DOS USUÁRIOS PSIQUIÁTRICOS:
De terça a sexta, de 10 às 18h, e sábado
e domingo, de 14h às 18h, no Museu Nacional
de Belas-Artes, Sala Mário Pedrosa (Rua Araújo
Porto Alegre, 80, Centro - 2240-0068).
Fonte: Jornal OGlobo
27/11/2001
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