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Fundação quer erguer museu de Iberê Camargo
Camila Molina
Com projeto do arquiteto português Álvaro Siza, museu orçado em
cerca de R$ 15 milhões deverá reunir em Porto Alegre 4 mil obras
do pintor gaúcho
São Paulo - A Fundação Iberê Camargo - que tem como presidentes
de honra Maria Coussirat Camargo, viúva do pintor Iberê Camargo,
e Jorge Gerdau Johannpeter, do Grupo Gerdau, o patrocinador prioritário
da instituição - tinha desde a sua criação o projeto de construir
o Museu Iberê Camargo (uma vontade do próprio artista) com as obras
e os documentos doados por Maria. Com o objetivo de preservar e
divulgar a obra de Iberê, a fundação conseguiu, somente neste ano,
estar a um passo de consolidar a sua idéia. O museu já tem um projeto
arquitetônico assinado pelo português Álvaro Siza Vieira e a instituição
está finalizando o processo de captação de recursos para iniciar
a construção do espaço na cidade de Porto Alegre.
Iberê Camargo foi um dos maiores pintores brasileiros deste século.
Nasceu em 1914 e morreu em 1994, vítima de câncer nos pulmões, consumidos
pelo chumbo das tintas. O acervo que sua viúva doou à fundação é
composto por cerca de 4.100 obras - entre óleos, guaches, desenhos
e gravuras - produzidas nas diversas fases pelas quais o artista
transitou e que vão tornar-se acervo do novo museu. Mas há ainda
outras 3.500 criações do artista espalhadas pelo mundo e que também
farão parte do projeto de catalogação de todas as obras que será
coordenado pela professora da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRS), Mônica Zielinsky. Esse trabalho será todo voltado
ao Centro de Pesquisa do museu.
Recursos - Segundo o diretor de controle administrativo da Fundação
Iberê Camargo, Bolívar Charnesky, o projeto do museu tem um orçamento
aproximado de R$ 15 milhões. "Mas o valor não está totalmente definido,
pois o projeto está em fase de tramitação", diz. "Ainda é necessário
ter a aprovação, municipal e ambiental, por exemplo, para, depois
disso, poder fechar um orçamento que não será exclusivo para a construção,
mas também para a manutenção do museu", explica Charnesky.
Por enquanto, o projeto já está inserido na Lei Rouanet e também
na Lei Estadual de Incentivo à Cultura do governo do Rio Grande
do Sul, que destina 1% da arrecadação do Imposto sobre a Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) para projetos culturais selecionados
pela Secretaria Estadual de Cultura. A Fundação Iberê Camargo já
promoveu três seminários para discutir as formas de gerir o museu
e de montar o seu projeto. O especialista canadense em gestão de
museus Gren Page foi um dos convidados da fundação. "Isso mostra
a amplitude internacional do projeto", diz Charnesky. O diretor
de controle prevê que daqui a um ou dois meses ficará pronta a formatação
final e legal do processo.
O local para a construção do Museu Iberê Camargo já está definido:
Avenida Padre Cacique, às margens do Rio Guaíba, zona sul de Porto
Alegre. A área total destinada será de aproximadamente 8.300 metros
quadrados, incluindo um estacionamento para cem automóveis. "O prédio
será um marco nessa avenida que é uma via de intenso movimento.
A localização escolhida também tem a pretensão de valorizar as margens
do rio, já que a cidade está, na sua maioria, cresce em direção
oposta", analisa o coordenador-executivo da Fundação Iberê Camargo,
Fernando Schiller.
O museu será composto por nove salas localizadas nos três pavimentos
superiores da construção, que serão utilizadas somente para a exibição
de obras de arte. Fernando Schiller conta que essas salas vão abrigar
tanto exposições de obras brasilerias quanto de outros países. "Mas
sempre haverá mostras com os trabalhos de Iberê Camargo, que serão
montadas sob diferentes curadorias", complementa o coordenador.
O prédio terá também um auditório, salas para oficinas e seminários
e um centro de informações e pesquisa sobre toda a vida e a obra
de Iberê Camargo. Haverá ainda uma enorme biblioteca e a fundação
vai reproduzir o ateliê de gravura no qual o artista sempre trabalhou.
"Será um ativo centro cultural voltado a alunos, professores e pesquisadores.
O interessante é que o prédio foi projetado para ser um museu, o
que é original, pois os museus do Sul são em prédios históricos.
Há todo um rigor técnico na sua idealização", diz.
"Patrocinar um projeto desse é uma forma de qualquer empresa fixar
sua marca não só na região como em todo o Brasil e nos países do
Mercosul, pois o museu será um espaço permanente. É uma ótima estratégia
de marketing", afirma Schiller. O Grupo Gerdau, como patrocina a
Fundação Iberê Camargo, será um dos investidores, mas o projeto
está aberto a outros parceiros. Os interessados na proposta podem
entrar em contato com a fundação pelo telefone (51) 3241-8416 ou
pelo site www.iberecamargo.org.br.
Fonte: Jornal Estadão
24/08/2001
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