NOTÍCIAS
 

Gregório Gruber, campanha por SP

Camila Molina

São Paulo - Na campanha de revitalizar o centro de São Paulo, o Masp Centro em parceria com o Espaço Cultural da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) apresentam uma exposição que é uma homenagem à cidade: Gregório Gruber - Centro - Pinturas, Aquarelas, Guaches e Gravuras, mostra de 75 obras distribuídas entre os dois locais - os desenhos, litogravuras e algumas pinturas estão no Espaço BM&F e os quadros de grandes dimensões, no Masp Centro. Além de ser homenagem, a exposição é, também, uma maneira de marcar a reinauguração do Masp Centro, localizado na Praça do Patriarca. Por ocasião das obras de revitalização da praça, o salão expositivo da filial do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Galeria Prestes Maia como é chamado, estava fechado desde janeiro, quando foi encerrada a exposição Viva o Kitsch.

Gregório Gruber não foi escolhido por acaso para essa ocasião. Como se pode ver na dupla exposição, há um desenho feito pelo artista datado de 1961 que retrata um dos lugares do centro de São Paulo. Seria um dos mais antigos trabalhos de Gruber, já que naquela época ele tinha apenas 9 anos de idade. Pode-se dizer que desde criança ele se interessava pelas paisagens urbanas, tema que virou uma marca de seu trabalho artístico - apesar de o artista sempre insistir que não aceita ser rotulado. Como diz, foi uma pessoa que cresceu na cidade, mais precisamente no centro histórico de São Paulo, logo, teria de explorar o que estava à sua frente, desde sempre.

É certo que outras metrópoles também o inspiram, como o Rio de Janeiro e Barcelona, onde até possui um estúdio próprio. É certo também dizer que sua obra percorreu vários estilos, do hiper-realista a uma quase abstração e, por isso, essa exposição que inaugura nesta terça-feira é uma maneira de reunir mais de 30 anos de sua trajetória, já que comporta diversos tipos de obras feitas em variadas técnicas, como o próprio título da mostra revela.

Nos quadros, as figuras humanas estão solitárias, transitando no meio da arquitetura urbana, o cerne do trabalho de Gruber. Algumas obras são tão realistas que é muito fácil identificar o lugar de onde foram inspiradas. Em outras, a sensação é a de que o local retratado poderia muito bem pertencer a qualquer cidade do mundo. Para trabalhar essas paisagens, o artista já se baseou em fotografias e vídeos, mas, atualmente, atesta que o melhor meio sempre foi o desenho, "o registro caligráfico das cenas".

A partir de detalhes dos locais, Gruber, depois, compõe as paisagens à sua maneira, tirando e colocando elementos, fazendo inserções. O curioso dessa exposição é que há até mesmo um caráter documental em algumas das obras como, por exemplo, a em que Gruber retrata a área ao lado do Edifício São Vito, uma arquitetura dos anos 50 que foi totalmente demolida para hoje ser um estacionamento. Ao mesmo tempo, há um quadro em que o artista já materializa uma imagem atual da Praça do Patriarca, logo depois de ter sido revitalizada.

Como diz Manoel Pires da Costa, diretor do Masp Centro, foi a arquiteta Rose Carmona, curadora da exposição, quem sugeriu Gregório Gruber para a reinauguração dos locais. "Ele retrata São Paulo como ninguém, com paixão", diz o diretor. O projeto de revitalização do centro histórico - deteriorado porque a cidade está deteriorada - é uma preocupação tanto do Masp quanto da BM&F. "O centro é uma grande sala de visitas", diz Pires da Costa, que também é o novo presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Adianta que o tema da 26.ª edição da Bienal em 2004, será Território-Livre e complementa dizendo que o Masp Centro ainda passará por uma série de reformas internas para atrair maior público. Terá até uma biblioteca.

Serviço - Gregório Gruber. De segunda a sábado, das 11 às 17 horas. R$ 4,00. Masp Centro. Galeria Prestes Maia, Praça do Patriarca, s/n.º, São Paulo, tel. 3101-7666


Espaço Cultural BM&F. De segunda a sexta, das 11 às 17 horas. Praça Antônio Prado, 48, São Paulo, tel. 3119-2404. Grátis. Até 26/01.

Fonte: Jornal Estadão
08/11/2002