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A fotografia pela ótica de dois artistas
Adriana Del Ré

Eliana Bordin e Rafael Assef têm suas obras expostas, a partir de amanhã, na Galeria Vermelho, em São Paulo

São Paulo - A Galeria Vermelho abre amanhã exposição que mescla trabalhos fotográficos, programas de computador e projetos arquitetônicos. Os artistas plásticos Eliana Bordin e Rafael Assef lançam seu olhar sobre a fotografia sob diferentes aspectos. Eliana apresenta 36 trabalhos desenvolvidos a partir de fotogramas e radiografias. Tais técnicas nada mais são do que resultado do registro de objetos, com auxílio de uma superfície fotossensível e da luz.


Ela demonstra que as possibilidades com as técnicas em questão são multiplas. Na série de radiografias, há registro de peças como o pote, num exercício de estudo da essência. "Quero falar sobre o que é constituído o objeto, do que é formado."

Já a série de fotogramas, ampliados ou não, faz um estudo anatômico, de formatos e essências das flores, pérolas, medalhas, cílios postiços, entre outros itens. "É um trabalho de investigação e pesquisa, em que o artista funciona como catalisador para revelar essa forma de cada coisa."

Enquanto Eliana encontra fascínio nos primórdios da fotografia - o processo de fixação da imagem numa superfície com ajuda da luz -, Rafael Assef faz uso da fotografia "revelada" para criar sua obra conceitual. São três séries, em que o artista plástico incita a reflexão de temas, como moda e comportamento, espaços íntimos, fragmentação.

No segmento Roupas, imagens de corpos nus não apresentam nenhuma conotação sensual. Na verdade, esses corpos são meros coajuvantes no comentário da estruturação da roupa, na medida em que trazem desenhos de costuras e pregas. "A construção da roupa tem uma racionalidade, o corpo é um suporte para essa estruturação", analisa o artista plástico.

Por meio de cortes superclosados, Rafael realiza um ensaio sobre fragmentação a partir de pêlos (da perna) tingidos de azul, verde e vermelho. Outra série faz o retrato de um ambiente. "O instrumento de trabalho é uma máquina que comenta o ambiente interno, bem como o externo. Nele, a luz funciona como ponto de fuga para esse externo."

Há ainda a sinalização idealizada pelos designers Rafael Lain e Angela Detanico. A fonte usada pela dupla tem comportamento de vírus de computador, já que ela se altera por si só. A fachada da galeria, de um infinito adesivado, é assinada por Leandro da Costa.

Coletiva. Trabalhos de Rafael Assef, Eliana Bordin, Leandro da Costa, Rafael Lain e Angela Detanico. De terça a sexta,das 10 às 19 horas; sábado, das 10 às 17 horas. Galeria Vermelho. Rua Minas Gerais, 350, São Paulo, tel. (0xx11) 3257-2033. Até 14/11. Abertura às 20h com apresentação musical de Davi Lima.

Fonte: Jornal Estadão
30/10/2002