Fotografia
dos tempos do imperador
Camila Pohlmann
O clima era para lá de apropriado. Além da instigante paisagem
tropical, da curiosidade dos imigrantes recém-chegados e
da vontade de difundir a novidade da daguerreotipia, o Brasil
era governado por um imperador que adorava fotografia. O
resultado não podia ser outro: o país viu nascer, em meados
do século XIX, uma geração de fotógrafos - e aventureiros
- alemães que registraram imagens pitorescas do país através
de suas lentes estrangeiras.
Parte
dessas imagens, de grande valor artístico e documental,
pode ser vista agora pelo público na exposição "Fotógrafos
alemães no Brasil do século XIX", inspirada no livro homônimo
lançado por Pedro Karp Vasquez e em cartaz até o dia 2 de
setembro no Instituto Goethe, no Centro. São 50 imagens
- muitas delas inéditas - clicadas por fotógrafos aventureiros
como Augusto Stahl, Alberto Henschel, Revert Henrique Klumb,
Pedro Hees e Karl Ernest Papf.
As fotografias - tanto as que fazem parte da mostra quanto
as que estão no livro lançado no fim do ano passado - são
o resultado de uma verdadeira garimpagem feita por Vasquez
em acervos brasileiros e alemães:
- Procurei selecionar muitas imagens da coleção de D. Pedro
II, que pertence atualmente à Biblioteca Nacional.As
fotografias que vieram da coleção do Reiss-Museum, em Mannheim,
por exemplo, estão sendo mostradas pela primeira vez numa
exposição brasileira.
Além
disso, a mostra conta com material iconográfico da coleção
do carioca Waldyr da Fontoura Cordovil Pires, um dos mais
importantes colecionadores de fotografia oitocentista do
Brasil, que autorizou pela primeira vez a reprodução de
imagens de seu acervo particular.
A
exposição "Fotógrafos alemães no Brasil do século XIX" pode
ser visitada de segunda a sexta, de 9h às 18h. Aos sábados,
o horário é de 9h ao meio-dia. O Instituto Goethe fica na
rua do Passeio 62, no Centro. A entrada é grátis.
Fonte: Jornal
O Globo
16/08/2001