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Atelier Finep abre nova edição
Maria Hirszman

Projeto vem desde 94 propondo a artistas que investiguem novos materiais e processos, em obras especialmente concebidas para o Paço Imperial

São Paulo - Confirmando sua importância como espaço de experimentação artística, o Paço Imperial do Rio exibe atualmente mais uma edição - de peso - das exposições do Atelier Finep, projeto que desde 1994 vem propondo a artistas convidados que investiguem novos materiais e processos, em trabalhos especialmente concebidos para o espaço do museu carioca.

A lista de participantes da mostra em cartaz até 16 de março já dá uma idéia da importância dessa edição do projeto. Lá estão Lygia Pape, Antonio Dias, Franz Weissmann, Luiz Áquila, José Resende e Waltércio Caldas (no time dos consagrados), além de Germana Monte-Mór e Fernanda Junqueira. Mas a sensação de que se trata de um bom projeto se torna absolutamente tangível já na primeira sala dedicada ao evento. Após uma primeira sensação de deslumbramento diante da instalação Ttéia #1/C criada por Lygia Pape, tentamos de todas as formas descobrir como a grande mestra da arte contemporânea brasileira consegue transformar luz em matéria usando apenas uma sala negra, alguns rolos de linha dourada e um cuidadosa iluminação. A obra faz parte da série das Ttéias, que a artista vem desenvolvendo desde a década de 70 (recentemente ela exibiu uma de suas "teias" na Galeria Fortes Vilaça), mas parece que a cada nova versão ela ganha uma nova importância.

Aliando emoção e rigor, esse trabalho apresenta uma série de elementos-síntese da riqueza criativa de Lygia: a relação com o espaço; a interação com o espectador; sua capacidade de transformar materiais banais como pipocas e baratas em algo repleto de sentido poético; e uma eterna preocupação em ultrapassar segmentações e limites.

O outro grande paradigma presente na exposição é Franz Weissmann que, aos 91 anos, exibe uma escultura inédita no pátio interno do paço e uma série de protótipos, revelando ao público a intimidade de seu processo criativo.

Jornal Estadão
10/01/2003