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Faap expõe retratos de várias gerações
Camila Molina

São Paulo - Como é de costume do Museu de Arte Brasileira
(MAB) da Faap, em todos os anos realiza-se, pelo menos, uma exposição
que tenha como base o acervo da instituição. A paisagem,
as crianças, o modernismo, a figura feminina e o preto-e-branco
já foram alguns dos temas explorados para mostrar a coleção
do museu, como diz sua diretora, Maria Izabel Ribeiro. Agora, para
este ano, o recorte escolhido foi reunir pinturas, desenhos e gravuras
- basicamente, xilogravuras - realizadas por artistas de diferentes
gerações na exposição Retratos, que
têm como tema o tradicional gênero artístico
que lhe dá nome.
Com curadoria do museólogo José Luís Hernandez
Alfonso, a mostra ficará aberta para o público até
dia 30 de março. Retratos é formada por 95 obras.
Como diz o texto de apresentação da mostra, "o
retrato não é simplesmente a representação
da imagem de uma pessoa". Ou ainda: "A técnica
aplicada pelo retratista revela-se artística quando também
e, sobretudo, desvenda a diversidade subjetiva, porém real,
da pessoa retratada ou o que ela pode simbolizar."
Como exemplifica a diretora Maria Izabel, os 12 retratos de autoria
do artista Flávio de Carvalho misturam "fisionomia e
gestualidade do retratado". Suas telas expressionistas - vale
dizer que as obras de Carvalho formam o maior conjunto da exposição
- trazem cores, movimento e ritmo e, ao mesmo tempo, parecem sinalizar
a personalidade e sentimentos dos modelos de seus retratos. O compositor
Camargo Guarnieri, a cantora Maria Kareska, o professor Pietro Maria
Bardi, a poetisa Aurélia Bandeira e Maria Della Costa são
alguns exemplos de suas telas. Maria Izabel também lembra
que o Museu de Arte Brasileira da Faap é o que possui em
seu acervo o maior número de pinturas de Flávio de
Carvalho.
Outros modernistas de peso também estão presentes
na exposição. Cândido Portinari retratou a artista
carioca Zélia Salgado em 1924 e, curiosamente, esta também
figura na exposição com quatro de suas próprias
pinturas. Tarsila do Amaral aparece na exposição com
a obra Retrato de Vera Vicente Azevedo, realizado em 1937, e outra
artista, Anita Malfatti, pintou figuras femininas anônimas:
Moça com Xale e Dama de Azul. Lasar Segall está presente
com um quadro e Clóvis Graciano, um dos fundadores do grupo
Santa Helena, com um retrato e um auto-retrato. Apesar dos modernistas,
Maria Izabel diz que esta exposição não faz
nenhuma ligação com a mostra sobre o modernismo Da
Antropofagia a Brasília, em cartaz na Faap até o dia
2. Outros destaques são José Pancetti, com dois auto-retratos
e Retrato de Menina, de 1942, e Arcângelo Ianelli, que pintou
sua filha Kátia, em 1957.
Na montagem da exposição, o curador José Luís
Alfonso optou por colocar as obras reunidas por artistas. Como conta
Maria Izabel, outro grande conjunto é o de retratos de artistas
e críticos de arte realizados por Adir Sodré de Souza
que foram dispostos pelo curador em forma de labirinto. Essa escolha
sugere a relação crítico/artista, "uma
relação que, em alguns casos, o público fica
de fora", como analisa a diretora.
Mas o acervo do Museu de Arte Brasileira - que reúne obras
do fim do século 19 e mais fortemente as do século
20 - também apresenta obras recentes, como a série
In Memorian, de Luise Weiss, realizada em 1995 a partir de fotografias
de família e que integrou sua tese de doutorado. Ou o retrato
do artista Nelson Leirner realizado em 2001 por Lázaro Elizeu
Moura. Além dessa exposição, a Faap aproveita
este momento para realizar uma mostra paralela em que apresenta
ao público as mais recentes aquisições de seu
Museu de Arte Brasileira: obras de Lasar Segall e de Beth Moysés.
Retratos - De terça a sexta, das 10 às 21 horas;
sábado, domingo e feriado, das 13 às 18 horas. Agendamento
pelo (11) 3662-7200. MAB/Faap. Rua Alagoas, 903, em São Paulo,
tel. (11) 3662-1662. Até 30/3.
Jornal Estadão
17/01/2003
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