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Evento transforma a Zona Leste
São Paulo - Misturando arquitetura, engenharia, conceitos
artísticos e a relação com o
próprio espaço urbano da zona leste
ou com a estrutura da Torre Leste do Sesc Belenzinho,
cada uma das 26 intervenções artísticas,
desenvolvidas para esta edição do Arte/Cidade,
teve o objetivo de pensar a região.
Algumas delas tomaram enormes proporções,
vale dizer que alguns projetos foram construídos
com a colabaração de equipes de cerca
de 50 profissionais. Enfim, são trabalhos que
não dependem somente dos artistas para serem
realizados.
Pode-se perceber muito bem essas proporções
nos trabalhos realizados na Torre Leste. O projeto
do engenheiro e artista Ary Perez, por exemplo, consiste
na escavação de três metros em
torno de um dos pilares do edifício, revelando,
assim, a estrutura da construção. Já
o artista carioca Nelson Felix pensou em atravessar
uma peça de ferro em um dos pilares da torre,
trabalho que modificou toda a estrutura do local.
Carlos Fajardo criou um corredor de espelhos que fica
no chão e nas laterais de um espaço
destelhado do terceiro andar do edifício, questão
da reflexão de imagens e relação
com as questões naturais já que o trabalho
está aberto para refletir a luz do sol, as
nuvens e ainda o próprio espaço. E o
holandês Avery Preesman idealizou uma escultura
que pesa cinco toneladas e que ficará supensa
a 20 metros de altura na fachada da torre. Ou ainda,
José Resende que inclinou para o alto alguns
dos vagões estacionados no Viaduto Bresser.
Mas há também os trabalhos que não
têm grandes proporções estruturais,
mas pensam a situação dos habitantes
da região. Como o do polonês Krzysztof
Wodiczko, que desenvolveu carrinhos para catadores
de papel ou o trabalho do Ateliê Van Lieshout,
da Holanda, que consiste na construção
de cinco infoboxes que serão feitas in loco
por moradores de favelas e que funcionarão
como postos de orientação para visitantes
e para a população.
Fonte: Jornal Estadão
15/03/2002
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