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Escultura de brasileira é destaque da Sotheby´s
Tonica Chagas
Nova York - Oitavo Véu, bronze da mineira Maria Martins
(1894-1973) criado em 1948 e exibido na 1.ª Bienal de São
Paulo, em 1951, é um dos destaques nos leilões de
arte latino-americana que começam hoje em Nova York. Exibida
até duas semanas atrás no Metropolitan Museum, na
exposição Surrealism: Desire Unbound, a escultura
será leiloada amanhã pela Sotheby´s, que prevê
para ela preço entre US$ 500 mil e US$ 700 mil.
Para o historiador Francis Naumann, que escreveu sobre Oitavo Véu
no catálogo da Sotheby´s, a obra pode ser o resultado
poético do romance secreto entre Maria e o surrealista Marcel
Duchamp. Naumann vê semelhanças na pose da mulher na
escultura da brasileira com a figura nua do último trabalho
de Duchamp, a assemblage Etant Donnés.
Maria foi casada com Carlos Martins, embaixador do Brasil nos Estados
Unidos na década de 40, e tinha em sua casa de Washington
um estúdio de escultura bem equipado. Para começar
a expor nas galerias de Nova York, no inverno de 1942 ela alugou
um apartamento na Park Avenue com a Rua 58, em Manhattan, e encheu
um dos cômodos com suas grandes esculturas surrealistas.
A residência era próxima do grande centro de galerias
de arte na época e, numa delas, Maria conheceu Duchamp. O
que começou como amizade teria se tornado um caso amoroso.
Oitavo Véu é uma das maiores esculturas do período
surrealista de Maria, que tomou sua filha, Ana Maria, como modelo.
A cabeça, as mãos e os pés da figura são
distorcidos em forma de plantas, lembrando a fascinação
da artista pela floresta amazônica. O título da escultura
revela como fonte um gesso, hoje desaparecido, que Maria fez em
1939, representando a personagem bíblica Salomé. A
posição da mulher é quase a mesma nos dois
trabalhos. A primeira tinha um véu sobre uma das pernas,
mas no bronze a mulher está totalmente nua.
A escultura de Maria é um dos 22 trabalhos de brasileiros
oferecidos nas duas casas de leilão. A Christie´s abre
as vendas hoje com Mulher Sentada, de Di Cavalcanti pintado por
volta de 1930 e estimado entre US$ 20 mil e US$ 30 mil. Outro trabalho
de Di Cavalcanti, Paisagem, pintado por volta de 1935, é
o brasileiro com maior estimativa na Christie´s, com previsão
de alcançar entre US$ 200 mil e US$ 250 mil.
Fonte: Jornal Estadão
28/05/2002
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