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Dinamarca nega obras ao Guggenheim de Nova York
Jotabê Medeiros
O altar barroco brasileiro vai, mas
as telas de Albert Eckhout não. É essa a posição oficial do
Museu Nacional da Dinamarca em relação a pedido de empréstimos
de obras feito pela mostra Brazil - Body and Soul, que será
aberta no dia 19 no Museu Guggenheim de Nova York.
Segundo informou Line Thor, do museu dinamarquês, a
instituição desistiu de enviar aos Estados Unidos 13 pinturas de
Eckhout e outras obras referentes ao Brasil. De acordo com Thor,
a política do museu é não emprestar obras que corram qualquer
risco de danos, mesmo que pequeno.
O Guggenheim Museum não confirmou a negativa do museu
dinamarquês. Edward J. Sullivan, professor de História da Arte da
New York University e curador convidado da mostra Body and
Soul, disse na semana passada que o museu ainda mantinha a
esperança de que a Dinamarca enviasse as obras de Frans Post
para a exposição.
Segundo a BrasilConnects, instituição que está
promovendo a mostra, o atraso de 15 dias no embarque do altar
barroco de Olinda custou caro à organização da mostra. O
prejuízo foi estimado em US$ 440 mil (cerca de R$ 1,2 milhão)
pelo presidente da BrasilConnects, o banqueiro Edemar Cid
Ferreira.
"A gente compreende, faz parte do exercício da
democracia, mas é ruim, porque essa exposição procura justamente
resgatar a imagem do Brasil no Exterior", disse Ferreira. O
altar-mor foi embarcado na semana passada para Nova York. A
pedido da Advocacia Geral da União, o vice-presidente do
Tribunal Regional Federal de Pernambuco, Ubaldo Ataíde
Cavalcante, suspendeu liminar que impedia a ida da peça aos
Estados Unidos.
Segundo Ferreira, nenhum colecionador brasileiro
desistiu de enviar peças a Nova York. Mas o banqueiro demonstrou
uma certa contrariedade com a sucessão de problemas que
enfrentou para montar a mostra e não demonstra entusiasmo com a
seqüência da exposição Body and Soul, em Bilbao (Espanha). "Posso desistir de Bilbao, mas primeiro quero ver como
a exposição vai ser avaliada em Nova York", disse.
Segundo Line
Thor, do Museu Nacional da Dinamarca, as telas de Albert Eckhout
serão enviadas em 2002 para integrar a mostra Body and Soul,
mas somente para a segunda etapa da exposição, em Bilbao,
Espanha.
O altar barroco pernambucano só foi enviado aos Estados
Unidos após intervenção da presidência da República. Em mensagem
ao diretor da Fundação Guggenheim, Thomas Krens, o presidente
Fernando Henrique Cardoso se referiu à mostra como algo que
"vai certamente representar um marco na promoção da arte
brasileira no exterior". Mas ele não intercedeu diretamente na
suspensão da liminar em Pernambuco. O Guggenheim foi todo pintado de preto para receber a
obra, numa concessão museológica inédita na história da
instituição, segundo Pedro Paulo Sena Madureira, da
BrasilConnects.
Fonte: Jornal Estadão
10/10/2001
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