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César Maia admite desistir do Guggenheim
Beatriz Coelho Silva
Liminar confirmada ontem impede o pagamento de royalties à
Fundação Guggenheim. Recurso no STF será a
última tentativa do prefeito carioca
Rio - Um recurso no Supremo Tribunal Federal será a derradeira
tentativa da prefeitura do Rio de levar adiante o projeto do Museu
Guggenheim carioca. Uma liminar na Justiça, dada em 20 de
maio e confirmada ontem, impede o pagamento dos royalties à
Fundação Solomon Guggenheim, que detém a marca
no mundo inteiro. O impasse levou o prefeito César Maia a
admitir a possibilidade de desistir do projeto, que era a principal
alavanca para revitalizar a zona portuária do Rio, a exemplo
de Recife e Belém, no Brasil, e Boston e Barcelona, no exterior.
Segundo o prefeito, a Procuradoria Geral do Município
prepara o recurso, mas a ordem da Justiça precisa ser respeitada.
A informação chega dias depois de Maia anunciar
para setembro a primeira licitação do Guggenheim
carioca, com base no projeto do arquiteto francês Jean Nouvel.
Antes, o prefeito tinha condicionado a revitalização
da área ao museu, embora garantA dar andamento a pelo menos
dois projetos: a Cidade do Samba, onde os barracões das
escolas de samba funcionarão abertos ao público,
e a urbanização do Morro da Providência, a
primeira favela carioca.
A ação popular contra o museu foi proposta pelo
vereador Eliomar Coelho (PT) alegando irregularidades no contrato
assinado com a Fundação Solomon Guggenheim para
uso da marca e o altos custos do emprendimento que prevê
gastos para os próximos dez anos. Segundo dados da prefeitura,
a instituição receberia US 29,3 milhões pelo
uso da marca e supervisão da obra, e a primeira prestação,
de US$ 9,5 milhões seria paga em 30 de maio, um mês
após a assinatura do contrato, em Nova York. Com a liminar,
foi suspenso o pagamento, mas Maia garantiu que não há
multa prevista no contrato.
A luta pelo Guggenheim carioca vem de 2000, logo depois da eleição
de César Maia para seu segundo mandato como prefeito do
Rio. Coincidiu com os planos da Fundação norte-americana,
que já tem museus em Berlin, Veneza e Bilbao, no País
Basco, de expandir-se para a América do Sul. Depois de
um ano de negociação, o presidente da Fundação,
Thomas Krens, o diretor do Guggenheim de Bilbao, Juan Vidarte,
e o arquiteto Jean Nouvel vieram ao Brasil para escolher a cidade
e fecharam com o Rio em janeiro de 2002, mas ficaram reticentes
quanto às dificuldades a serem enfrentadas. Passou-se mais
um ano para a assinatura do contrato, que só ocorreu em
meados de abril desse ano, já com a cidade dividida entre
defensores e opositores do propjeto.
07/07/2003
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