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Em cartaz, o melhor do design brasileiro
Maria Hirszman
Começa hoje uma exposição
com 82 criações, protótipos
e ensaios da 17.ª edição do
Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira

São Paulo - A 17.ª edição
do Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira
(MCB), cujo resultado será apresentado
ao público a partir desta noite, com a
inauguração de exposição
reunindo 82 criações, protótipos
e ensaios, indica que essa iniciativa está
entrando numa nova - e promissora - fase. Mesclando
nomes de destaque da criação nacional
com trabalhos de jovens designers, a seleção
apresenta um recorte bastante diversificado e
amplo, que vai do resgate das tradições
do mobiliário nacional a uma crescente
preocupação em adaptar móveis
e utensílios às reais necessidades
dos usuários.
Mais do que o crescimento quantitativo - a estratégia
de atrair novamente nomes que haviam desistido
de mandar suas criações para concorrer
ao Prêmio levou o número de inscrições
a aumentar de 279 para 333 -, essa edição
do Prêmio mostra uma vitalidade bastante
interessante. O grande destaque é, sem
dúvida, a premiação no setor
do Mobiliário, tradicionalmente a mais
importante e concorrida das sete categorias em
disputa, cujo primeiro lugar foi atribuído
à Poltrona Pelicano. Extremamente simples,
confortável e prática, ela ainda
tem um caráter simbólico. Afinal,
o trabalho é assinado por Michel Arnoult,
pioneiro do móvel moderno no Brasil. "É
um exemplo claro do bom, bonito e barato que ele
persegue a tanto tempo", afirma a diretora
do museu, Adélia Borges.
Segundo ela, "a comissão julgadora
privilegiou criações que primam
pela inteligência, buscam soluções
inovadoras para tornar seu dia-a-dia melhor".
Um outro exemplo desse tipo de pensamento é
a premiação na categoria Ensaio
Crítico. A vencedora, Rosana Rita Folz,
realizou uma detalhada pesquisa intitulada O Móvel
na Casa Popular Brasileira, na qual constata a
incongruência entre as dimensões
do mobiliário construído pela indústria
nacional e a exigüidade cada vez maior das
residências populares no País.
Pode-se discordar aqui e ali das escolhas do
júri. E é exatamente esse tipo de
discussão e reflexão que o museu
pretende alimentar junto ao público ao
pedir que os visitantes elejam, por voto popular,
os três melhores trabalhos da exposição.
Uma outra categoria curiosa foi criada nessa consulta:
as pessoas que forem visitar a exposição
terão possibilidade de desabafar contra
uma indústria muitas vezes inatingível
ao nomear aquele objeto de seu dia-a-dia cujo
design mais odeia. O resultado final sai no fim
da exposição. Outro aspecto didático
da mostra é que ela deixa claro que não
se pode confundir design e moda. Há uma
evidente preocupação estética,
mas que não se sobrepõe à
função da peça. Um sedutor
pufe Ergo é, sobretudo, extremamente confortável;
o Buraco Negro criado pelo grupo Nó Design
não é apenas um curioso porta-tudo,
mas um utensílio extremamente prático
para manter a casa um pouco mais em ordem.
Prêmio Design MCB. De terça a domingo,
das 13 às 18 horas. R$ 4,00. Grátis
aos domingos. Museu da Casa Brasileira. Avenida
Brigadeiro Faria Lima, 2.705, tel. 3032-2564.
www.mcb.sp.gov.br. Até 7/12. Abertura hoje
Jornal Estadão
06/11/2003
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