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Guggenheim de NY tem exposição dedicada
ao Brasil
AFP

Veja fotos da exposição
O museu Guggenheim abriu nesta sexta-feira uma exposição
dedicada à arte do Brasil, que ficará aberta ao público
até o final de janeiro, tendo como peça principal
um monumental altar barroco do século XVIII, que quase
não seguia para Nova York devido ao temor de novos
atentados. »
Brasil: Corpo e Alma reúne mais de 350 peças do século
XVII até o presente, constituindo "a primeira grande
exposição da arte brasileira nos Estados Unidos",
comentou um dos curadores da mostra, Edward Sullivan.
"Procuramos iniciar um diálogo, permitindo uma primeira
exploração da diversidade e da riqueza do vocabulário
dos artistas brasileiros", afirmou Sullivan, chefe
do Departamento de Arte Latino-Americana da Universidade
de Nova York (NYU).
Ele definiu a mostra como "um presente alucinado,
vibrante e rico do Brasil em Nova York", num momento
em que a cidade está traumatizada pelo atentado de
11 de setembro.
Segundo o diretor do Guggenheim, Thomas Krens, a ambiciosa
exposição constitui "um enfoque espiritual da arte
e da cultura do Brasil nos últimos 400 anos", que
se expressa no ritual, na música, nas procissões religiosas,
nas celebrações seculares, na atuação.
Na opinião de Krens, a mostra no Guggenheim abre caminho
para a "vibrante e impressionante cultura e expressão
artística da América Latina, que não foram reconhecidas
até então pelos museus dos Estados Unidos".
A peça mais impressionante da mostra é o altar-mor
do mosteiro de São Bento, de Olinda (Pernambuco),
uma obra barroca do século XVIII, que ocupa todo o
lobby do museu construído por Frank Lloyd Wright,
e que foi revestido de negro para esta mostra pelo
arquiteto francês Jean Nouvel. Um tribunal federal
de Pernambuco tentou impedir que o altar de 14 metros
de comprimento, que faz parte do patrimônio artístico
brasileiro viajasse a Nova York, alegando questões
de segurança, depois dos atentados terroristas nos
Estados Unidos. A viagem só pôde ser feita depois
de uma intervenção do presidente Fernando Henrique
Cardoso.
A mostra inclui ainda peças de Antonio Francisco Lisboa,
o Aleijadinho, além de penas e adornos corporais dos
índios do Amazonas, assim como artesanatos em madeira,
ouro e prata, que representam a forte influência africana,
além de "ex-votos" populares.
Não faltarão também as "carrancas" das barcas que cruzavam
o rio São Francisco e, na seção de arte moderna, a
presença de trabalhos de Tarsila do Amaral, uma das
inspiradoras dos movimentos Pau-Brasil e Antropofagia.
O Guggenheim também expõe artistas do movimento Concretista
e Neo-Concretista, como Sergio Camargo, Hélio Oiticica
e Lygia Clark. Dos artistas contemporâneos brasileiros
estão presentes Tunga, Miguel Rio Branco, Vik Muniz,
Ernesto Neto e Adriana Varejão, cada vez mais cotados
no mercado de arte de Nova York.
A exposição - acompanhada de mostra de cinema, inclui
também comédias musicais dos anos 30, telenovelas,
passando por obras-primas do movimento Cinema Novo.
Fonte: Terra
24/10/2001
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