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CURSO VAI ENFOCAR VINÍCIUS DE MORAES,
PORTINARI, RUBEM BRAGA E ARY BARROSO

Portinari, Vinícius de Moraes, Rubem Braga e Ary Barroso são os homenageados da nova edição do Curso de Introdução à Cultura Brasileira, que a Secretaria de Cultura de Niterói e o Centro de Artes UFF promovem de 09 a 30 de outubro de 2003 no Teatro da UFF. Intitulado Retratos do Brasil, o novo módulo do curso destaca quatro personalidades que deixaram significativas heranças para a arte e a cultura nacional, e que comemoram, em 2003, seus 100 e 90 anos. O curso gratuito acontecerá sempre às quintas-feiras, das 14 às 17h30min, mas as inscrições devem ser feitas pessoalmente e com antecedência na Rua Presidente Pedreira, 98, Ingá, Niterói.

O evento reúne palestras e apresentações artísticas de grandes personalidades do mundo cultural para tratar de assuntos relevantes à arte e à cultura. Sucesso absoluto desde sua primeira edição, em 1999, o Curso de Introdução à Cultura Brasileira vem se consolidando cada vez mais como um espaço de reflexão em torno da identidade brasileira, reafirmando o papel de Niterói como cidade-referência na área da cultura.

RETRATOS DO BRASIL

Portinari, Vinícius de Moraes, Rubem Braga e Ary Barroso. Cada homenageado criou, através de sua arte, um retrato singular de nosso povo e de nosso país, conquistando, cada qual, seja nas artes plásticas, na poesia, na literatura ou na música, seu espaço definitivo no cenário cultural do Brasil. Para falar de suas diferentes realidades, trajetórias, tradições, talentos e modos de fazer arte, o curso conta com a participação de fãs, parentes e amigos próximos, além de atrações especiais que prometem verdadeiros tributos para festejar a memória desses grandes artistas.

PORTINARI E A MUDANÇA ESTÉTICA DO BRASIL

Candido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café, em Brodósqui, no interior do Estado de São Paulo.Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária e desde criança manifestou sua vocação artística. Aos 15 anos de idade foi para o Rio de Janeiro, em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas-Artes.

Em 1928 conquistou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Partiu em 1929 para Paris, onde permaneceu até 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, decidiu ao voltar ao Brasil, no início de 1931, retratar em suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo à ciência antiga da pintura, uma personalidade moderna e experimentalista.

Em 1935 obteve a segunda Menção Honrosa na exposição internacional do Instituto Carnegie de Pittsburgh, Estados Unidos, com a tela Café, que retrata cena de colheita típica de sua região de origem.

Aos poucos, sua inclinação muralista revelou-se com vigor nos painéis executados para o Monumento Rodoviário, na Rodovia Presidente Dutra, em 1936, e nos afrescos do recém construído edifício do Ministério da Educação e da Saúde, no Rio de Janeiro, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que foi o fio condutor de toda a sua obra a partir de então.

Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participou de uma notável mudança na atitude estética e na cultura do país. No final da década de 30 consolidou-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos.

Em 1939 executou três grandes painéis para o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York e o Museu de Arte Moderna de Nova York adquiriu sua tela Morro. Em 1940, participou de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expôs individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público. Em dezembro daquele ano a Universidade de Chicago publicou o primeiro livro sobre o pintor: Portinari, His Life and Art com introdução de Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras.

Em 1941 executou quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso, em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realizou em 1943, oito painéis conhecidos como Série Bíblica, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da Segunda Guerra Mundial.

Em 1944, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, iniciou as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais, destacando-se na Igreja de São Francisco de Assis, o mural São Francisco (do altar) e a Via Sacra, além dos diversos painéis de azulejo. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçaram o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries Retirantes (1944) e Meninos de Brodósqui (1946), assim como à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro, sendo candidato a deputado em 1945, e a senador em 1947.

Em 1946, Portinari voltou a Paris para realizar, na Galeria Charpentier, a primeira exposição em solo europeu. Foi grande a repercussão, tendo sido agraciado, pelo governo francês, com a Legião de Honra.

Em 1947 expôs no Salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países. O final da década de 40 assinalou na obra do artista, o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo.

Em 1948, por motivos políticos, Portinari se auto-exilou no Uruguai, onde pintou o painel A Primeira Missa no Brasil, encomendado pelo Banco Boavista do Rio de Janeiro.

Em 1949 executou o grande painel Tiradentes, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro, que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho, Portinari recebeu, em 1950, a Medalha de Ouro concedida pelo júri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

Em 1952, atendendo à encomenda do Banco da Bahia, realizou outro painel com temática histórica: A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia, e iniciou os estudos para os painéis Guerra e Paz, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14 x 10m cada - os maiores pintados por Portinari -, encontram-se no hall de entrada dos delegados do edifício-sede da ONU, em Nova York.

Em 1954, Portinari realizou para o Banco Português do Brasil, o painel Descobrimento do Brasil. Neste mesmo ano, teve os primeiros sintomas de intoxicação das tintas, que lhe foi fatal. Em 1955 recebeu a Medalha de Ouro, concedida pelo International Fine Arts Council de Nova York, como o melhor pintor do ano.

Em 1956 fez os desenhos da Série D. Quixote e viajou para Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contato com o recém-criado estado israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano recebeu o Prêmio Guggenheim do Brasil e, em 1957, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarelas do Hallmark Art Award, de Nova York.

No final da década de 50 Portinari realizou diversas exposições internacionais, expondo em Paris e Munique em 1957. Foi o único artista brasileiro a participar da exposição 50 Anos de Arte Moderna, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958, e expôs como convidado de honra, em sala especial, na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México. Em 1959 expôs na Galeria Wildenstein de Nova York e em 1960 organizou importante exposição na Tchecoslováquia.

Em 1961 o pintor teve diversas recaídas da doença que o atacara em 1954 - a intoxicação pelas tintas -, mas lança-se ao trabalho para preparar uma grande exposição, com cerca de 200 obras, a convite da Prefeitura de Milão.

Candido Portinari faleceu em 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.


Contato para entrevistas: Marcos Gomes > (21) 2621-5050

PROGRAMAÇÃO

09 de outubro de 2003 - Portinari

Palestrantes: João Candido Portinari e Israel Pedrosa

Mediador: Pierre Crapez

16 de outubro de 2003 - Vinícius de Moraes

Palestrantes: Carlos Alberto Afonso e Roberto Menescal (participação especial do grupo Roda de Bossa)

Mediador: Marcos Gomes

Encerramento com show com Roberto Menescal e Wanda Sá nos jardins da Reitoria da UFF

23 de outubro de 2003 - Rubem Braga

Palestrantes: Moacir Werneck de Castro e Domício Proença Filho

Mediadora: Lívia Reis

30 de outubro de 2003 - Ary Barroso

Palestrantes: Flávio Rubens e Antônio Olinto

Mediadora: Marianna Kutassy

LOCAL DAS INSCRIÇÕES:

Secretaria Municipal de Cultura

Rua Presidente Pedreira, 98, Ingá, 2621-5050

Das 10 às 13 horas

(Emissão de certificado de participação para aqueles que tiverem freqüência mínima de três presenças)

LOCAL DO CURSO

Teatro da UFF

Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí

Quintas-feiras, 9, 16, 23 e 30 de outubro de 2003, das 14 às 17h30min

02/10/2003