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Guggenheim tem CPI no caminho
A filial do museu no Rio está sob investigação.
O terreno que seria usado não pertence à prefeitura,
que recolheu indevidamente R$ 1,5 milhão de Imposto de Renda,
entre outros problemas
Rio de Janeiro - A CPI da Câmara Municipal do Rio de Janeiro,
que começou ontem a investigar irregularidades no contrato
entre a Prefeitura do Rio e a Fundação Solomon Guggenheim,
vai convocar os secretários de Urbanismo, Alfredo Sirkis,
e de Cultura, Ricardo Macieira, para prestar esclarecimentos na
semana que vem sobre o projeto de construção de uma
filial do Museu Guggenheim no Rio. A comissão acredita que
o prefeito César Maia assinou um contrato com a fundação
nova-iorquina e pagou US$ 2 milhões por um projeto de viabilidade
sem ter condições de assegurar a construção
do novo museu.
A CPI quer apurar que garantias a prefeitura tem de que o terreno
onde o museu seria erguido (na zona portuária da cidade)
poderá ser usado pela prefeitura. O problema é que
o terreno pertence ao governo federal e hoje está cedido
a quatro empresas privadas. "Não estamos discutindo
o mérito do museu, se ele deve ou não ser construído.
Mas temos a clareza de que há graves irregularidades na contratação
do projeto", afirma o vereador Mario Del Rei , presidente da
CPI e líder do PSB na Câmara.
O acordo inicial com a Fundação Solomon Guggenheim
foi assinado no dia 19 de novembro em Nova York, na sede da matriz
do museu. Na época, a construção do museu foi
estimada em US$ 100 milhões, mas o prefeito já fala
em US$ 200 milhões.
Para que o contrato fosse levado adiante, a prefeitura teve que
pagar US$ 2 milhões por um estudo de viabilidade de uma filial
na Praça Mauá. A prefeitura promete anunciar o início
da construção ainda este ano, e o Guggenheim levaria
três anos para ficar pronto.
César Maia afirma que tudo já está acertado
com o governo federal para a liberação do terreno.
Por email, o prefeito disse apenas: "É assunto do Ministério
do Planejamento que está andando muito bem. Trata-se de uma
declaração de disponibilização acompamhada
com uma desapropriação combinada por parte da prefeitura.
Tudo indo muito bem com a velocidade dos assuntos jurídicos.
O assunto está com o próprio ministro".
Mas os vereadores apontam outras irregularidades. Duas delas foram
alertadas pelo próprio secretário de Urbanismo, Alfredo
Sirkis. Em documentos da prefeitura anexados ao contrato com a fundação,
Sirkis faz a ressalva de que o contrato deveria ser assinado com
base nas leis brasileiras. "A determinação do
foro de NY parece descabida (...) o foro deve ser o Rio", afirmou.
Sirkis questionou ainda outro ponto do contrato americano que afirma
que a fundação será a responsável pelo
controle total do projeto. "Esta ação deveria
caber à prefeitura", escreveu o secretário. Outro
problema se refere ao recolhimento de imposto de renda (no valor
de cerca de US$ 700 mil) sobre o pagamento dos US$ 2 milhões.
Segundo entendimento da procuradora do município Christiana
Telles, esse recolhimento seria desnecessário porque o projeto
tem fins culturais e a prefeitura ficaria isenta desse imposto.
Para o prefeito, não há irregularidade e o IR foi
recolhido por se tratar de um contrato comercial. "Quando for
aprovado e se transformar em investimento cutural, pode até
ser (que se transforme em um projeto cultural). Só com o
contrato final firmado é que os investimentos podem ganhar
esta característica", disse. Por fim, os vereadores
reclamam que o contrato existente na prefeitura foi escrito em inglês
e não tem tradução em português. "A
língua é inglês, ele foi assinado nos Estados
Unidos com a lei daquele país, mas quem está pagando
é a cidade do Rio. Acho que o prefeito está sendo
precipitado", disse o vereador Del Rei.
Fonte: Jornal Estadão
08/11/2002
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