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"Regular Coffee" ironiza consumismo
São Paulo - A partir de um conto inventado pelo artista
multimídia Victor Lema Riqué - uma história
sobre um homem (Roberto Imbríaco) que descobre uma máquina
abandonada de café, dezenas de caixas do produto e uma centena
de copos de plástico e, assim, começa a vender a bebida,
inventa um nome e uma marca para o novo produto, ficando rico e
famoso - surgiu a série de trabalhos Regular Coffee, material
que foi reunido para a exposição que será inaugurada
amanhã, na Valu Oria Galeria.
Faz três anos que Riqué vem desenvolvendo esse enredo.
De uma viagem a Nova York, o artista teve uma visão surreal:
um uruguaio que vendia café em uma das esquinas da metrópole
ao mesmo tempo em que cantava o jingle Salió y ha puesto
a la venta el rico y delicioso Regular Coffee. Depois desse insight
o artista escreveu o conto descrito acima, elaborou quadros e até
uma bandeira que simbolizava a marca do produto. Levou o logotipo
a diversas cidades do mundo como Paris, Londres, Nova York, onde
fotografou cada capítulo dessa história que se tornou
visual, literária, ficcional e real.
Riqué também fez vídeos como se fossem anúncios
internacionais do produto, criou um site (www.regularcoffee.com.br)
que contém uma entrevista com o personagem Roberto Imbríaco,
uma secretária para o famoso e rico empresário e até
uma médica que dá conselhos sobre "a saúde
Regular Coffee". "Já deixei todo mundo louco com
essa história", brinca o artista, que nasceu no Uruguai
e mora em São Paulo há mais de 20 anos.
Mas de toda essa história imaginária, Riqué
destaca duas idéias principais. "Regular Coffee trata
de dois âmbitos: primeiramente é uma ironia em relação
à sociedade comercial baseada no marketing, no design e na
publicidade; o outro âmbito é o antropológico,
já que explora a figura de um imigrante - no caso, Roberto
Imbríaco é um uruguaio que morava nos EUA e já
estava cansado de ser chamado de ´Bob´ - que enriquece
de um momento para o outro, por meio de uma idéia ocidental
ajudada pelos meios de comunicação", explica.
Desse modo, a exposição, que tem curadoria de Nancy
Betts, reúne dez telas com serigrafias aplicadas, alguns
vídeos de todo o processo e backlights (caixas de luz). Todas
as telas são divididas em dois espaços: um dourado
sobre o glamour enganoso e outro mais sombrio, cinza, com contornos
de pessoas do cotidiano, fachadas de fábricas. "Os mundos,
na arte, são realidades construídas e o artista deliberadamente
aponta as fronteiras entre o real e a ilusão - os complexos
modos de presença no mundo contemporâneo. O paradoxo
é que, na vida, o conto é realidade", escreve
a curadora, no catálogo de Regular Coffee.
Victor Lema Riqué - De segunda a sexta, das 10 às
19 horas; sábado, das 11 às 14 horas. Valu Oria Galeria
de Arte. Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1.403, tel. 3083-0811.
Até 11/5. Abertura, amanhã, às 21 horas.
Fonte: Jornal Estadão
18/04/2002
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