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Coletivas revelam novos artistas plásticos
Camila Molina

São Paulo - Duas exposições coletivas com trabalhos de novos artistas estão sendo inauguradas: uma delas, Kairós, é a primeira mostra do grupo Antropoantro, recentemente formado por dez artistas residentes em Campinas que freqüentaram, por três anos, os seminários de Carlos Fajardo, e a outra, Labor, reúne obras de 87 estudantes da Faap, ECA-USP, Belas-Artes e Santa Marcelina. A Kairós ocupa o Espaço Cultural das Faculdades Tancredo Neves. Já a coletiva Labor ocorrerá desta sexta-feira até domingo em um casarão no bairro da Mooca, zona leste de SP.

O Antropoantro é formado por mulheres. Algumas cursaram diretamente artes plásticas. Outras, mesmo com diversas especializações, como matemática, economia, lingüística, letras, filosofia ou comunicação social, de algum modo foram impulsionadas a procurar aulas de fotografia, escultura, enfim, algum caminho para a arte. Mas, certamente, o ponto de partida para a consolidação do grupo foi o convívio nos seminários de Carlos Fajardo, em que as artistas tiveram contato com textos de Donald Judd, Marcel Duchamp e Hélio Oiticica, para citar alguns exemplos.

Depois, começaram a se reunir no Ateliê de Criatividade, da artista plástica Sílvia Matos, uma das integrantes do grupo. Até hoje o Antropoantro recebe orientação do artista que tem sala especial nesta 25.ª Bienal de São Paulo e participa do Arte/Cidade, que pode ser visitado até domingo. Para essa exposição, Kairós, os artistas exibem fotografias, objetos, colagens e objetos-pintura, entre outros.

Já Labor é uma iniciativa de jovens artistas que ainda estão cursando artes plásticas. Idealizado por Karen Andersen e Roberta Mahfuz, ambas da Faap, a coletiva ocorrerá somente no fim de semana em um casarão antigo da Mooca. "Foi muito por acaso. O espaço é da família da Roberta e o pai dela nos emprestou para que fizéssemos a coletiva", diz Karen. O título da exposição remete ao nome do local onde funcionava uma fábrica de tecelagem. "Labor também significa trabalho em latim e isso encaixou muito na idéia do projeto", complementa Karen.

Para reunir os 87 artistas, Karen e Roberta convidaram conhecidos e a notícia foi se espalhando entre os diversos alunos de várias faculdades. "Foi feita uma reunião e todos ficaram livres para escolher o espaço que quisessem ocupar, assim como suas obras. Não há uma idéia de seleção nesse projeto." Muitos dos artistas optaram por trabalhar materiais da própria construção datada do fim do século 19, como portas, janelas e estruturas metálicas. Outros se inspiraram na história e na arquitetura do local. Por exemplo, a fachada do casarão foi pintada por Aline van Langendonk.

Segundo Karen, Labor reúne instalações, grafites, pinturas, videoarte e esculturas, em menor quantidade. A mostra ainda conta com performances, apresentações teatrais, de bandas de música, de dança do ventre e de DJs. Muitos artistas ficaram de fora por causa do curto tempo em que foi planejada a exposição, mas ainda podem ser encaixadas algumas performances à programação. A entrada para o evento é gratuita.

Serviço - Grupo Antropoantro. De segunda a sexta, das 10 às 22 horas; sábado, das 10 às 13 horas. Espaço Cultural das Faculdades Tancredo Neves. Avenida Divino Salvador, 876, São Paulo, tel. 5052-4600. Até 28/5

Labor. Sexta, a partir das 19 horas; sábado, a partir das 12 horas e domingo a partir das 10 horas. Local: Rua da Mooca, 815. Até 5/5. Abre amanhã(03), às 19 horas

Fonte: Jornal Estadão
08/05/2002