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Procuram-se obras de Clóvis Graciano
Camila Molina

O centenário de nascimento do artista Clóvis Graciano será somente daqui a quatro anos, em 2007, mas a marchande Maria Helena Prudêncio, que acompanhou o artista em seus últimos 15 anos de vida (ele morreu em 1988), já tem projetos para homenageá-lo. O primeiro deles é realizar a catalogação total das obras de Graciano para que depois esse material se transforme em um livro.

«Já venho fazendo esse trabalho há um ano e meio e, por enquanto, tenho catalogadas 700 obras», conta Maria Helena.

Entretanto, ela acredita que haja aproximadamente 2 mil peças no total. Precisa de ajuda para encontrá-las.

«A obra do Clóvis está muito espalhada, poucas pessoas têm mais de dois quadros dele.»

Clóvis Graciano foi um dos artistas que nas décadas de 30 e de 40 integrou o famoso grupo Santa Helena, formado pelos «artistas-operários» - expressão de Mário de Andrade - como Rebolo, Volpi, Aldo Bonadei, Mário Zanini e Fúlvio Pennacchi, entre outros.

O grupo se reunia no edifício Santa Helena, localizado na Praça da Sé e que em 1971 foi demolido. Pode ser considerado um artista modernista.

A marchande, que está há 30 anos no mercado de arte e tem um escritório fechado, conta que, na verdade, não precisa de patrocínio para esse trabalho de catalogação, que ela mesmo realiza, nem para fazer o livro.

Maria Helena diz que fez o contato com uma editora, entretanto não quis revelá-la, e que já convidou pessoas para escreverem os textos da publicação.

«Só fizeram um livro sobre o Clóvis na década de 70, mas pouco significativo, com poucas reproduções. A obra dele está muito esquecida». Ela pensa em colocar cerca de 250 reproduções de quadros do artista.

Por enquanto, já foram localizadas obras do artista em São Paulo, Brasília, Rio, Belo Horizonte, na Bahia e até na Itália. Maria Helena, além dos contatos pessoais, espalhou pequenos cartazes em tabacarias e restaurantes explicando seu projeto.

«Dependo que as pessoas me procurem», afirma. «Gostaria de publicar o livro durante este ano ainda», complementa.

Além de catalogar e fazer um livro sobre a vida e a trajetória de Clóvis Graciano, a marchande conta que pretende montar uma exposição retrospectiva sobre o artista. Mas a mostra seria somente em 2007, ano do centenário, e talvez ela precise de recursos para realizá-la.

Os interessados em ajudar Maria Helena Prudêncio podem contatá-la pelo telefone (11) 3078-7327 ou por meio do e-mail mhps@ajato.com.br.

O Estado de S. Paulo
18 de abril de 2003