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Cildo Meireles expõe em SP
Camila Molina
Descalas, que abre hoje na Galeria Luisa Strina,
é um "aperitivo" para a mostra
Panorama da Arte Brasileira, no MAM

São Paulo - Na mostra Panorama da Arte
Brasileira, que será inaugurada no Museu
de Arte Moderna de São Paulo (MAM) no dia
16, o artista Cildo Meireles estará representado
por uma obra baseada na figura da escada, um projeto
que ele pensou há tempos e que em 2002
foi apresentado na Itália. No Panorama,
sua instalação será formada
por escadas que terão pouco mais de três
metros de altura. Mas hoje, na exposição
que ele inaugura na Galeria Luisa Strina, a figura
da escada estará presente em 16 múltiplos
de apenas 50 cm x 50 cm, como gravuras feitas
em aço. Estará lá como o
projeto do projeto. Suas etapas. A mostra Descalas
é como um "aperitivo para a exposição
no MAM", como diz Luisa Strina. Para Cildo,
como uma espécie de documentação
de um projeto. Uma obra-projeto do que vai ser
exibido na 28.ª edição do Panorama
da Arte Brasileira.
Tudo começou com a obra Viagem ao Centro
do Céu e da Terra, que Cildo Meireles montou
em 2002 na cidade de Siena, na Toscana, Itália.
Ao ar livre, foi erguida uma gigantesca escada
com cerca de 40 metros de altura segurada por
fios de aço. Era uma idéia antiga,
como diz o artista, a de realizar uma "escada
que desaparecesse no céu", como na
história do João e o pé de
feijão. Entretanto, uma utopia. Ele ainda
queria que a enorme escada tivesse um balão
em seu topo. Começou a pesquisar materiais
que proporcionasse leveza à escada, mas
não conseguiu. O jeito foi realizá-la
com ferro mesmo, com 40 metros de altura e mais
alguns metros debaixo da terra. Ao mesmo tempo,
na mesma cidade de Siena, na Palazzo Delle Papesse,
Cildo expôs 12 escadas com apenas 3 metros
de altura, algumas delas, desconstruídas.
Tudo isso foi a base do que expõe e vai
expor agora no Brasil.
Cildo Meireles. De segunda a sexta-feira, das
10 às 19 horas; sábado, das 10 às
17 horas. Galeria Luisa Strina. Rua Oscar Freire,
502, tel. 3088-2471. Até 14/11. Abertura
hoje, às 19 horas.
Jornal Estadão
24/10/2003
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