NOTÍCIAS
 

Cena rara

Pouco exibida no Rio, a obra de Volpi tem levado um público de até 400 pessoas à Galeria Ipanema, aos domingos. Além de comprovar a popularidade do artista, o fato revela que exposições institucionais em galerias comerciais nos fins de semana despertam o interesse do espectador. A mostra termina dia 16.

Queimação de filme
Entre os destaques do leilão que a Casa Amarela realiza até o dia 10, em Brasília, está o quadro Mulata, de Di Cavalcanti. A pintura de 1956, estampada na capa de um dos catálogos da Sotheby's, já esteve sob o martelo este ano. Em fevereiro, foi posta à venda, em Belo Horizonte, com lance inicial de R$ 550 mil. Agora, o preço de saída caiu para R$ 500 mil. É o tipo de negócio que o mercado chama de queima de obra.


Agora é só cuidar
O STJ jogou a pá de cal sobre a ação movida pela Associação dos Moradores do Jardim Botânico reivindicando o direito sobre as Cavalariças do Parque Lage. Por unanimidade, foi mantida a posse integral do conjunto arquitetônico conhecido por Mansão dos Lage (onde funciona a Escola de Artes Visuais) para o Estado do Rio.


Entre os bons
O chileno Roberto Matta, morto ano passado, brilhou no leilão de arte latino-americana, quarta-feira, na Christie's-NY. Três obras do artista ficaram entre as dez mais caras da noite. Duas ultrapassaram os preços das estimativas. Entre elas, o óleo Desnudos infinitos, que chegou aos US$ 1,6 milhão - US$ 100 mil a mais que o esperado. Todas foram compradas por americanos e europeus.


'Ma che'
A partir do dia 10, o Museu do Prado, em Madri, expõe obras de Ticiano. Esta será a maior mostra dedicada ao veneziano desde 1935, quando, na Itália de Mussolini, foram exibidas mais de 100 pinturas. Ao contrário do que se possa pensar, a Espanha tem o maior conjunto do mundo de quadros do mestre.


Sem medo de apanhar
Boa de controvérsia, a impávida organização do Turner Prize anunciou os nomes dos irmãos Jake e Dinos Chapman entre os finalistas da edição atual. A dupla foi indicada por suas garatujas da cabeça de um cachorro, um palhaço e um soldado nazista sobre gravuras de Goya. O mais cobiçado prêmio de arte contemporânea, concedido na Grã-Bretanha, será entregue em dezembro.

QUATRO PERGUNTAS PARA RISOLETA CÓRDULA
Brasileira, residente em Paris, a curadora e crítica de arte Risoleta Córdula veio ao Brasil para o seminário Arte contemporânea - Antecedentes históricos e atuais. Depois de São Paulo e Salvador, ela fala sobre o tema, quarta-feira, na Casa de Artes da Universidade Estácio de Sá, na Barra da Tijuca.

A senhora se propõe a tornar acessível a controversa arte contemporânea. Como isso é possível?

Através de informações simples e precisas sobre a arte inserida no contexto histórico, político e social, como as guerras, catástrofes, terrorismo e toda sorte de violência. A arte de hoje é reflexo da vivência dos artistas face a tais acontecimentos e seus sentimentos de emoção e de protesto diante do mundo em que vivemos.

Por que a arte contemporânea é tão hermética para a maioria do público?

Porque ela reflete esta realidade muito difícil de ser assimilada.

A atual produção de arte não vem sendo mitificada por curadores e críticos?

Sim. Os curadores e críticos têm o importante papel de serem os mediadores entre o público e a produção de arte, cabendo a eles desenvolver trabalho teórico-prático, visando a simplificar o entendimento da obra de arte e torná-la acessível a todos.

Como a senhora vê o futuro da arte?

Instalações, performances, fotos e vídeos-arte continuam com seu excelente papel contestador e intrigante. Mas percebo o retorno da nova pintura, em todas as formas de expressão, com novos suportes e materiais. As três mostras mais visitadas, atualmente em Paris, são de pintores: Chagal, no Grand Palais; Nicolas de Stael, no Beaubourg, Magritte, na Galerie National de Jeu de Paume. São prova do retorno da pintura, em grande estilo.

informedearte@jb.com.br
02/06/2003