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Artista dinamarquês tinge iceberg de vermelho
AE-AP
"Este é o meu iceberg. Ele me pertence",
diz o artista
Copenhague, Dinamarca - "Todos temos o desejo
de decorar a Mãe Natureza, porque ela nos
pertence." É o que acredita o artista
dinamarquês Marco Evaristti, ao explicar
uma inusitada criação sua, na costa
oeste da Groenlândia. De posse de 3 mil
litros de tinta, Evaristti tingiu de vermelho
sangue um bloco de gelo de 900 metros quadrados.
A mancha berrante se destaca brutalmente das
geladas paisagens da Groenlândia, onde,
naturalmente, imperam os tons de branco. A intervenção
custou ao artista apenas duas horas, durante as
quais enfrentou temperaturas de até -23
graus C. "Este é o meu iceberg. Ele
me pertence", diz o artista, de sua base
em Ilullissat - que quer dizer bloco de gelo em
groenlandês, dialeto do esquimó.
Ainda não se sabe que reação
as autoridades locais tomarão a respeito
da obra. Mas é notório seu empenho
e rigor em proteger o meio ambiente de ações
predatórias, tenham ou não pretensões
artísticas.
Não é a primeira vez que Evaristti
chama atenção com sua arte extravagante.
Há dois anos, ele expôs em uma galeria
dinamarquesa uma série de peixinhos em
liquidificadores que podiam ser acionados pelos
espectadores - com conseqüente trituração
e morte dos animais. Alguns visitantes chegaram
a ligá-los, peixes morreram, e o diretor
da galeria acabou sendo acusado de crueldade contra
os animais. Mais tarde, o caso foi arquivado.
Jornal Estadão
30/03/2004
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