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Cássio Vasconcelos fragmenta paisagem no Arte/Cidade

Adriana Del Ré

São Paulo - Nesta edição do Artecidadezonaleste que começa nesta quinta-feira para convidados e sábado para o público, o fotógrafo Cássio Vasconcellos brinca de mágico. Ele mexe com o imaginário do visitante usando a mais pura ilusão de ótica. À primeira vista, o projeto parece simples mas requer uma série de cálculos matemáticos. A partir de uma única cena da Estação Brás, fragmentada em vários pedaços, Vasconcellos almeja reconstruir o todo.

Num dos andares da torre leste do Sesc Belenzinho, o fotógrafo instalou uma grande imagem fotográfica da estação, com área de projeção final de 2,70 metros por 8 metros. No entanto, essa mesma imagem está segmentada em 67 partes que, vistas isoladamente, parecem registros desconexos, sem ligação uma com a outra. No entanto, quando o observador posiciona-se num determinado ponto da sala, testemunha todos os fragmentos se reunindo diante de seus olhos e constituindo uma única cena. Uma área do metrô avançando na direção das lentes de Cássio Vasconcellos, com um mar de prédios ao redor e a região central logo ao fundo.

São 67 fotos, suspensas por fios quase imperceptíveis e distribuídas em cinco planos. A cada plano, as fotos têm suas dimensões ampliadas, proporcionais à visão monocular. O primeiro plano estará a 2,80 metros do observador; o segundo, a 4 metros; o terceiro, a 5,60 metros; o quarto, a 8 metros e, finalmente, o quinto, a 11 metros. "Não é uma matemática simples, que está sob a responsabilidade de Renato Cury", comenta Vasconcellos. "Perde-se a noção do tridimensional e as imagens passam a se juntar."

Esse tal ponto de fusão, o próprio visitante terá de descobrir. Não haverá demarcações ou dicas. O fotógrafo faz uma analogia entre sua intervenção, São Paulo e a zona leste. "É difícil ver a região leste como um todo", diz. "Muita gente não tem idéia do que ela seja; muitas vezes, se comporta como um local de passagem para quem não mora nela. Trata-se da região mais atípica da cidade."

Até eleger a Estação Brás como base para seu trabalho no projeto Arte/Cidade, o fotógrafo perambulou muito. "Escolhi o Brás por várias razões, entre elas, por reunir dois elementos importantes para a região: o metrô e o Brás."

Com uma câmera panorâmica em punho, ele disparou uma seqüência de cliques até registrar a cena que poderá ser vista no evento - desde que o visitante tenha paciência e curiosidade, é claro. "Quando as pessoas passarem por entre as fotos, outras vão vê-las fragmentadas também", completa Cássio Vasconcellos, que participa pela segunda vez do projeto.


Fonte: Jornal Estadão
15/03/2002