|
O Rio de Jano não é o Rio dos cartões-postais
Paulo Henrique Ferreira

Em sua quarta visita ao Rio, o quadrinista e ilustrador francês
Jano pode se considerar um carioca honorário. Embora o seu português
ainda seja claudicante, as gírias que pululam na cidade já estão
na ponta de sua língua. Da última vez que esteve aqui, entre outubro
e novembro do ano passado, Jano passou 50 dias batendo perna, conversando
e desenhando.
O resultado desta incursão pode ser conferida hoje, a partir das
19h, no Museu da República. O artista estará autografando o álbum
“Rio de Janeiro”, da série “Cadernos de viagem”, editado pela Casa
21 e pela Sinapse.
— Além da natureza, que é muito bela, captei a simpatia do carioca
— conta o artista.
O Rio de Jano não é o Rio das agências de turismo. O artista até
retratou os inevitáveis Pão de Açúcar e Cristo Redentor, mas nunca
como cartões-postais. E aventurou-se pelos subúrbios e pelas favelas
da cidade, coisa que muito morador da Zona Sul jamais fez.
— Sou gaúcho, moro no Rio há dois anos e nunca fui a muitos dos
lugares aos quais ele foi — contou o cartunista e animador Allan
Sieber, que viu as 15 pranchas do álbum (são 30, no total) que foram
expostas no Festival Internacional dos Quadrinhos (FIQ), em Belo
Horizonte, que terminou no domingo.
José Muñoz destaca o carinho dedicado ao Rio
Argentino radicado em Paris, José Muñoz, um dos grandes nomes do
quadrinho europeu, teceu loas ao que viu no FIQ.
— Gostei muito, principalmente, a forma carinhosa como ele retratou
a cidade.
Habitué do Rio, o também argentino Carlos Nine só foi apresentado
à obra de Jano no FIQ. E ficou impressionado:
— A luz do dia do Rio é conhecida no mundo inteiro. Mas ele retratou
com perfeição a sua luz noturna, que particularmente gosto muito.
'RIO DE JANEIRO': quinta, às 19h, no Museu da República
(Rua do Catete 153 - 3826-1850).
Fonte: Jornal OGlobo.com
18/10/2001
|