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O sonho do Guggenheim carioca - Um ianque no píer
Daniela Name

O Guggenheim de Bilbao, na Espanha

O personagem que mais marcou 2001 nas artes plásticas cariocas morreu há 52 anos. Solomon Robert Guggenheim — mas pode chamar só de Guggenheim — nasceu na Filadélfia, envolveu-se com importação de bordados suíços, com exploração de minas de ouro no Alasca e ficou tão rico que, aos 58 anos, aposentou-se para dedicar-se ao que realmente gostava de fazer: colecionar obras de arte. Colecionou tantas que, em 1937, fundou, em Nova York, um museu com seu nome. É uma filial deste museu que está chegando ao Rio, provavelmente no píer da Praça Mauá, trazendo no seu acervo uma polêmica interminável e tornando a complicada pronúncia de Guggenheim (o pai dele era suíço) em lugar-comum do vocabulário carioca. Só no seu estudo de viabilidade, a prefeitura vai gastar US$ 2 milhões. O prefeito Cesar Maia se defende:

— Imagino que ainda virão novas polêmicas, provocadas pelos ortodoxos e pelos nacional-exagerados, o que é natural — diz o prefeito. — Em três anos o Rio vai entrar no circuito dos museus Hermitage-Guggenheim, recuperar o foco cultural no eixo Rio-São Paulo e ser potencializado como cidade global, como marca internacional.

É claro que houve gente fazendo previsões bem menos otimistas que as de Cesar. Disseram que o museu poderia concentrar os investimentos no setor, levando outras instituições à bancarrota; que o poder público desviaria para a construção do prédio recursos que poderiam ser aplicados em áreas prioritárias. Os paulistas também não gostaram nada de ficar de fora da lista que incluía Rio, Salvador e Recife entre as cidades cotadas para abrigar a filial.

O Guggenheim ficou conhecido em todo o mundo quando, em 1959, transferiu sua sede, em Nova York, para um prédio com a assinatura do arquiteto Frank Lloyd Wright. Hoje, tenta dominar o planeta seguindo os passos de seu diretor, Thomas Krens — ele ganhou o posto em 1992 — que abriu as filiais de Las Vegas e Bilbao e lançou o projeto para a América Latina.

Uma temporada rica, com “Surrealismo” e contemporâneos

A discussão sobre a validade do museu trouxe à tona as dificuldades que as instituições brasileiras enfrentam para manter seu calendário de exposições, despertar o interesse do público e gerar uma estabilidade para o circuito de arte. Dificuldades que em 2001 muitas vezes foram contornadas com criatividade e profissionalismo. O ano teve um blockbuster (a mostra “Surrealismo”, no Centro Cultural Banco do Brasil ), mas também representou um momento de revisão para a arte contemporânea. Antonio Dias, Ivens Machado e Waltercio Caldas estão entre os que realizaram mostras de peso. Dias viajou pelo Brasil com “País inventado”; Ivens teve a originalidade reavaliada em “O engenheiro de fábulas”, ainda em cartaz no Paço Imperial; e Waltercio deixou claro que existem mil maneiras de se reinventar uma linha em exposição que teve montagem no CCBB.

Fonte: OGlobo.com
27/12/2001