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Menina carente vence concurso
no Japão
Lucinéia Nunes
São Paulo - Thaís Regina da Silva,
de 9 anos, é uma menina de talento e de sorte.
Seu auto-retrato, pintado na Casa do Zezinho
(cooperativa educacional e assistencial sem
fins lucrativos) para a exposição O Resgate
do Retrato, que ocorreu em outubro, na estação
de metrô Vila Madalena, foi um dos 20 vencedores
da medalha de ouro do 8.º Concurso Anual Mundial
de Pintura Infantil, do Japão.
No ano passado, Marina Suhara,
da Associação Cultural dos Departamentos de
Senhoras Cooperativistas, foi visitar a mostra
no metrô e selecionou algumas pinturas para
concorreram ao prêmio. Mais de 32 mil desenhos
do mundo inteiro participaram do concurso, dos
quais 20 receberam medalha de ouro, 40 de prata
60 de bronze e 80 menções honrosas, como o de
Yonara Rodrigues, também da Casa do Zezinho.
Orgulhosa, Anésia Regina Francisco,
mãe de Thaís, conta que ficou muito emocionada
durante a cerimônia de entrega do prêmio, no
dia 4, na Casa de Cultura Japonesa, onde esteve
acompanhada do marido e do filho Eduardo. "Meus
filhos sempre gostaram de desenhar. Mas agora
Thaís está sonhando alto e isso me preocupa.
Gostaria muito que ela conseguisse uma bolsa
de estudos num curso de desenho."
Para Thaís, a premiação representa
um estímulo. "Foi a primeira oportunidade que
tive de falar ao microfone", conta. Em seu agradecimento,
ela disse que a Casa do Zezinho é uma esperança.
É lá, no "Sol do Parque Santo Antônio", como
a comunidade carinhosamente chama a Casa do
Zezinho, que Thaís passa as tardes com outras
crianças carentes da região. De manhã ela cursa
a 3.ª série do ensino fundamental.
Fundada há sete anos, por Dagmar
Garroux, a Casa do Zezinho é uma entidade que
hoje atende 520 crianças e adolescentes, de
6 a 18 anos, de baixa renda e matriculados na
rede pública de ensino. "Não queremos substituir
a escola. Mas contribuir para a formação pessoal,
social e profissional de cada cidadão", explica
Gilson Martins, gerente de eventos e professor
de clown da Casa.
É por meio de oficinas culturais,
computação, esportes e um núcleo de capacitação
profissional (padaria, cabeleireiro, corte e
costura, silk-screen, mosaico, modelagem e estúdio
de som, por exemplo), alimentação diária, material
escolar, serviço odontológico e muito carinho,
que a Casa do Zezinho ajuda as crianças e as
tira das ruas. Tudo isso graças ao esforço de
voluntários, cooperativados e empresas que patrocinam
algumas atividades, como a Xerox e a Promon.
Quem quiser contribuir com deve ligar para a
Casa do Zezinho, no telefone (0--11) 5512-0878.
Fonte: Jornal Estadão
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