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Bienal do Mercosul viaja pelo país e chega ao Rio com mostra de Matta
Daniela Name

Os que tiveram a sorte de ir a Porto Alegre para ver a 4 edição da Bienal do Mercosul, que terminou em dezembro do ano passado, viram que a exposição mostrou claros sinais de amadurecimento, com a participação de seis países sul-americanos, 17 exposições simultâneas e uma homenagem ao México. Quem não esteve na capital gaúcha vai pelo menos conhecer partes da mostra, que começam a viajar para outras cidades brasileiras. O Rio foi a primeira capital a aderir ao projeto e, a partir de quinta-feira, o Museu de Arte Moderna apresenta aos cariocas telas e esculturas do chileno Roberto Matta.

A exposição do MAM é pequena — 12 obras, entre telas e esculturas em bronze — mas suficiente para sintetizar a importância de Matta, o mais importante artista da história da arte chilena no século XX. Nascido em 1911 e herdeiro de uma das maiores fortunas do país, ele foi um pintor autodidata e, na França, conviveu com os grandes nomes do surrealismo.

Pintor foi amigo de Breton, Picasso, Magritte e Duchamp

Foi amigo de alguns dos pilares do movimento, como André Breton, e também de artistas que se transformariam em vitrines das transformações propostas pelos surrealistas, como René Magritte, Pablo Picasso, Salvador Dalí e Marcel Duchamp. Também trabalhou no ateliê de Le Corbusier, considerado o papa da arquitetura moderna.

Ao morrer, em 2002, era reconhecido como uma figura fundamental para a cultura chilena. Não só por sua importância nas artes plásticas — deu uma roupagem latino-americana ao escapismo onírico e fantástico dos surrealistas e foi um pioneiro da abstração — mas também por sua atuação política.

Depois de passar uma temporada em Londres — onde trabalhou com Walter Gropius, fundador da Bauhaus — e Nova York, Matta voltou ao Chile e, no início dos anos 70, criou numerosos projetos culturais ao lado do então presidente Salvador Allende, entre eles o dos murais de arte, que se espalharam pelas ruas de Santiago.

No MAM, o público vai poder ver como o artista se aproxima da abstração em telas como “El dia es un atentado” e “Sol-i-tude”.

— Pudemos criar este projeto de itinerância para a Bienal do Mercosul por causa do grande sucesso de público da mostra, que levou mais de um milhão de pessoas a Porto Alegre — comemora o presidente da Bienal do Mercosul, Renato Malcon. — Isso animou os patrocinadores a colaborar com a viagem das obras. Os curadores de outras cidades também vieram a Porto Alegre e se interessaram em ter partes da Bienal em seus museus.

São Paulo vai receber telas do mexicano Orozco

Cada um dos seis países do Mercosul participou com duas mostras: uma batizada de icônica — com um grande nome da história da arte do país — e outra com a representação nacional, formada por trabalhos de artistas contemporâneos. Também foram realizadas mostras paralelas, como a que mostrava a visão de artistas de países fora do Cone Sul sobre as viagens de Simón Bolívar pelos países sul-americanos.

Enquanto o Rio recebe o “ícone” do Chile, São Paulo vai abrigar o do México, país homenageado. As 45 pinturas de José Clemente Orozco — contemporâneo de Rivera e Frida Kahlo e um dos grandes nomes do muralismo do país – serão expostas na Estação Pinacoteca, novo espaço da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Malcon diz que a idéia da direção da Bienal do Mercosul é levar as mostras de arte contemporânea para outras cidades. Mas, para isso, precisa da autorização da maioria dos artistas participantes:

— Muitas obras precisariam ser refeitas, já que são pensadas para o espaço onde são expostas. Mas estamos negociando.

Jornal OGlobo.com
12/01/2004