Bienal
do Mercosul terá 200 artistas
Maria
Hirszman
Evento reúne obras de 200 artistas e deverá receber a
visita de 500 mil pessoas. Terá mostra inédita de Rivera,
de pintura contemporânea chinesa do artista dinamarquês
Tal R, entre outras.
São
Paulo - Em sua terceira edição, que terá início em 15 de
outubro, a Bienal do Mercosul confirma-se como um pólo de
divulgação e debate sobre a produção artística latino-americana,
mostrando o trabalho de quase 200 artistas espalhados por
vários espaços expositivos de Porto Alegre, numa área total
de 12 mil metros quadrados. A expectativa dos organizadores
é de que a mostra alcance um público de 500 mil pessoas,
após ter atraído quase 300 mil visitantes em 1999.
Este
ano dois grandes nomes da pintura mundial figuram entre
as atrações especiais: Edvard Munch e Diego Rivera. A mostra
do pintor mexicano é inédita e reúne apenas retratos do
artista mais comumente vinculado ao engajamento político
do muralismo. Já a exposição de Munch reúne 10 grandes óleos
e 20 gravuras do mestre expressionista e, antes de seguir
para Porto Alegre, deve inaugurar o novo centro cultural
da Caixa Econômica Federal, em Brasília.
O comissário especial responsável pelas salas especiais,
Jens Olensen, também programou outros eventos paralelos,
como uma mostra de pintura contemporânea chinesa e uma do
artista dinamarquês Tal R.
No campo brasileiro, o grande homenageado não será alguém
de renome como Iberê Camargo - lembrado nas edições anteriores
-, mas Rafael França, um jovem artista de Porto Alegre considerado
um dos precursores da arte multimídia brasileira, que morreu
prematuramente, em 1991.
O
eixo central, para não dizer tema central do evento, é a
pintura e a apropriação de questões como cor, matéria e
superfície pela arte contemporânea. Deste núcleo, fazem
parte 51 artistas. A outra grande proposição da mostra é
um desafio para 49 artistas. Cada um deles receberá um contêiner
como área de trabalho e deverá adaptar sua obra para esse
espaço. "Este é o núcleo mais curioso, mais vivo de todo
o evento", afirma Fábio Magalhães, o curador-geral da Bienal.
Essa
idéia foi utilizada inicialmente em 1996, quando Copenhague
foi a capital européia e Olensen convidou Fábio Magalhães
para ser o curador do segmento latino-americano e caribenho
da mostra Art across Ocean, que ocupou 14 dos 96 contêineres
utilizados no evento dinamarquês. A relação com a idéia
de deslocamento, adequada para uma cidade portuária, volta
então à tona. Em torno dessa cidade de contêineres, também
foi reservado espaço para intervenções urbanas.
Como
nos outros anos, há um evidente predomínio da produção brasileira
- que em alguns segmentos é superior a 80% - o que limita
a extensão geográfica do evento. Esse panorama inclui desde
artistas já consagrados, como Waltercio Caldas e Marcos
Coelho Benjamin, a nomes ainda pouco conhecidos, como Fabio
Faria e Sérgio Helle. Mas, em compensação, a atual edição
é marcada por um grande esforço de ampliar ao máximo as
escolhas levando os curadores a buscar um panorama o mais
abrangente possível de seus países.
A escolha dos brasileiros coube à curadora-adjunta, Leonor
Amarante, que viajou o País inteiro. "Uma prova disso é
que temos 14 Estados representados", afirmou o curador-geral
do evento, Magalhães, em entrevista.
A mesma peregrinação foi feita pelos curadores regionais
Jorge Glusberg (Argentina), Pedro Querejazu (Bolívia), Justo
Pastor Mellado (Chile), Ticio Escobar (Paraguai), Angel
Kalenberg (Uruguai) e Gustavo Buntinx (Peru).
Fonte: Jornal
Estadão
26/07/2001