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Museu abraça a contravenção
Bianca Kleinpaul, do GloboNews.com

Não é uma apologia, nem chega a ser uma
homenagem - embora esta palavra tenha sido usada no
material de divulgação enviado à
imprensa. Mas a exposição "Bichos",
em cartaz no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio,
é uma propaganda e tanto para uma atividade
submersa na ilegalidade no Brasil. Vinte e cinco gravadores
foram reunidos em torno do tema o jogo do bicho para
criar desenhos utilizando as principais técnicas
de gravura. A idéia inicial de fazer um livro
também acabou se transformando na mostra, que
fica em cartaz até o dia 17 de fevereiro.
O artista plástico Marcelo Frazão é
o responsável em transformar o jogo do bicho
em arte, realizando uma exposição inédita
no país sobre essa fauna. Segundo o organizador,
o assunto foi um simples "pretexto" para
reunir os 25 gravuristas de todo o Brasil em torno
dessa atividade que entrou em decadência depois
de uma guerra declarada pela Justiça brasileira
há dez anos, acarretando prisões de
vários chefões do bicho.
- Nenhum dos artistas é contra ou a favor do
jogo do bicho. Não queremos comercial - afirma
Marcelo Frazão, que também participa
com um desenho do Galo, o número 13 da roleta.
Cada gravador ficou responsável por um bicho.
Entre os destaques estão a gravura em metal
do Elefante por Rose Van Lengen, a serigrafia do número
sete (o Carneiro) de Paulo Simões e o Cachorro
em cologravura de Paulo Villela. Muitos dos outros
artistas ainda são desconhecidos do grande
público mas não menos criativos na hora
de transformar esses bichanos ilegais em obra de arte.
Nenhum deles se assustou com a idéia inusitada,
muito menos tiveram algum medo do preconceito e de
polêmica em torno das obras.
- Quando a gente trabalha com arte fica descompromissado
com a coisa terrena. Não queremos discutir
sobre a legalidade. Nós tratamos mais da questão
antropológica de um assunto que mexe com a
população. O jogo do bicho é
uma coisa meio folclórica - define Frazão.
BICHOS Museu Nacional de Belas Artes: Av. Rio Branco
199, Centro 2240-0068. Ter a sex, das 11h às
17h. Sáb, dom e feriados, das 13h às
17h. R$ 4. Dom, entrada franca.
Fonte: Jornal OGlobo.com
15/01/2002
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